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Santana Lopes e Sampaio reencontram-se para apoiar estudantes sírios

O ex-presidente Jorge Sampaio e o ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes protagonizaram hoje o seu primeiro encontro institucional desde 2005 durante a assinatura de um memorando de entendimento que vai atribuir bolsas de estudos a estudantes refugiados sírios.

Lusa

Foi Jorge Sampaio que em março de 2005, na qualidade de Presidente da República, destituiu o ex-presidente da câmara de Lisboa, e ex-líder do PSD, do cargo de primeiro-ministro.

Num encontro cordial na sede da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa SCML), o provedor Pedro Santana Lopes recebeu o ex-chefe de Estado Jorge Sampaio, agora na qualidade de presidente da "Global Platform for Syrian Studants" (Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios), para a assinatura de um protocolo que permite a atribuição de dez bolsas de estudo, no valor de cerca de 50 mil euros por ano, a jovens estudantes sírios, inscrições em diversas universidades do país para licenciaturas e mestrados e doutoramento, bem como a atribuição de residências para jovens estudantes sírios.

"A tragédia síria não deve ser encarada como um problema alheio nem como uma questão extrínseca que não nos diz respeito. Como europeus, herdeiros do acervo humanista que coloca a dignidade da pessoa humana no centro do direito e dos direitos, da ética e do imperativo ético existencial, a questão do destino dos refugiados sírios não nos poder ser indiferente", referiu o ex-presidente da República na sua intervenção.

"Quaisquer iniciativas que tenham por objetivo acolher e criar oportunidades de futuro para os refugiados sírios devem ser estimuladas e apoiadas", frisou o também ex-alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações e ainda antigo presidente da câmara municipal de Lisboa, num momento em que Santana Lopes ocupava a secretaria de Estado da cultura.

"Quando pensamos que quando a paz voltar será preciso reconstruir completamente o país e dispor de novas lideranças bem apetrechadas para dar rumo a uma sociedade desfeita, torna-se por demais evidente que é agora no presente que temos de começar a preparar o futuro", sublinhou ainda.

Jorge Sampaio aproveitou o exemplo do protocolo assinado para sublinhar a importância da "cooperação entre vários setores e instituições com valências completares" e que podem ser fator de mudança e inovação social.

"É agora também durante este difícil tempo de guerra que se deve apoiar estes jovens desde já no caminho do futuro. É isso que estamos a procurar fazer, e saúdo vivamente este acordo", afirmou.

Na resposta, o provedor da Santa Casa recordou as consequência da guerra na Síria, que deixaram o país em colapso, e sublinhou a solidariedade da instituição que dirige face aos refugidos ou aos imigrantes.

"É fulcral que neste momento da história, da vida das pessoas, dos seres humanos, que não existam egoísmos bacocos, que não existam egocentrismos financeiros nestas questões. É muito importante conhecer a história da Europa e a sua vertente humanista. Não é a fechar fronteiras nem a rejeitar pessoas que se constrói a Europa do século XXI", disse Santana Lopes.

A "Plataforma Global" vocacionada para os estudantes sírios foi criada em 2013 e destina-se a angariar subsídios de emergência para que possam prosseguir os seus estudos, num país devassado desde 2011 por uma guerra generalizada e que já provocou cerca de 220 mil mortos e perto de 11 milhões de deslocados e refugiados.

Na nota final da sua intervenção Santana Lopes enfatizou o prazer em assinar o acordo "ao lado de Jorge Sampaio", apesar de "ser a causa é que conta". O provedor da Santa Casa destacou a "formação e sensibilidade social" do seu convidado, sugerindo que as desavenças do passado estão ultrapassadas.

Em declarações aos jornalistas, Santana Lopes rebateu as críticas à concessão destas bolsas por quem considerou que os "portugueses também precisam", ao recordar que estes estudantes estão numa situação de guerra, esclareceu que não tinha "relações para reatar" com o ex-chefe de Estado e assegurou que, há dez anos, nada ficou por resolver.

"Todos os seres humanos têm memória, coração e alma, mas também têm obrigação de olhar para o presente e futuro, especialmente quem tem responsabilidades com dimensão pública".

Dez anos após a sua destituição, o provedor da Santa Casa arrumou a questão sobre eventuais desavenças com o seu antigo rival político, ao sublinhar que os interesses da comunidade devem ser sempre prioritários, indicando que "as divergências não impedem que as pessoas reconheçam quais são as qualidades das outras".

Lusa

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