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Referendo ao Acordo Ortográfico recolheu 10 mil assinaturas, mas são necessárias 75 mil

O projeto de referendar o Acordo Ortográfico (AO1990) já recolheu cerca de 10 mil assinaturas, das 75 mil necessárias, admitiu hoje à Lusa uma das responsáveis pela iniciativa.

A professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa Cristina Pimentel disse à Lusa que, em agosto, devido às férias, não está a ser feita contagem mas que, em julho, estavam contabilizadas mais de sete mil assinaturas, sem contar com as chegadas por correio. "Não estamos longe das dez mil", disse.

Os promotores da iniciativa querem atingir as 75 mil assinaturas necessárias até novembro, para que seja a nova composição da Assembleia da República (saída das eleições de outubro) a debater a questão.

Do projeto fazem parte personalidades das áreas da política, do ensino e investigação e da cultura e nele inclui-se a ideia de questionar sobre o Acordo os candidatos a cargos políticos, nas próximas eleições legislativas e presidenciais.

Além dos 52 mandatários, em setembro será divulgada uma nova lista de personalidades que subscreveram a iniciativa, disse Cristina Pimentel, acrescentando que vários candidatos a cargos políticos se pronunciaram sobre o AO1990, afirmando estar contra.

A responsável afirmou acreditar que, em novembro, se terão alcançado as 75 mil assinaturas, "mesmo sendo estranho que se exija" esse número "para este tipo de iniciativa de cidadãos e apenas sete mil e quinhentas para uma candidatura a Presidente da República".

"Já começámos em junho avançado - na Faculdade de Letras, por exemplo, os alunos já estavam de férias", e "achamos que, em setembro e outubro, vamos ter muitas mais assinaturas", justificou, acrescentando que ainda assim o total de assinaturas pode ser apresentado mais tarde, até no próximo ano.

A professora disse que uma classe profissional que "tem muitas assinaturas" é a dos médicos, para quem o Acordo é "desastroso, porque as palavras perdem a relação etimológica", e considerou que faz todo o sentido referendar o Acordo, uma forma de ouvir os portugueses, "já que as opiniões dos especialistas foram todas metidas na gaveta".

O AO1990 "foi uma decisão política, à revelia de toda a gente" e não tem quase nenhum "grande nome da cultura" a favor, disse a responsável, alertando ainda para outra questão derivada do Acordo, o "fenómeno da hipercorreção".

"Já vi escritas frases como 'Clínica de Dianóstico'ou 'Cidade Invita'", refere, acrescentando que o AO1990 "dificulta a aprendizagem de línguas estrangeiras" e "abriu as portas à asneira".

Além da professora e de outras dezenas de personalidades, os mandatários da iniciativa incluem nomes como António Arnaut ou Manuel Alegre (PS), Pacheco Pereira ou Manuela Ferreira Leite (PSD), Bagão Félix ou Lobo Xavier (CDS-PP), o realizador de cinema António-Pedro Vasconcelos, o escritor Miguel Sousa Tavares, o maestro António Victorino d´Almeida ou o músico Pedro Abrunhosa.

A iniciativa nasceu em abril passado, num fórum realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

O referendo, segundo a Constituição (artigo 115.º - 2) pode resultar de iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República e são necessárias 75.000 assinaturas.

Lusa

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