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Mota Amaral diz que "os políticos nunca se reformam"

O deputado do PSD Mota Amaral afirmou hoje que "os políticos nunca se reformam" e que apesar de ter sido sondado por outros partidos e movimentos para integrar as listas às eleições legislativas, não poderia aceitar.

Mota Amaral recorda os momentos que o marcaram durante os dois dias de cerco.

Mota Amaral recorda os momentos que o marcaram durante os dois dias de cerco.

"Os políticos nunca se reformam, podem não ter função eletiva, exercer um cargo, mas a sua atuação cívica tem sempre uma dimensão política e obviamente que o facto de deixar de ser deputado não me retira a minha capacidade cívica e a minha responsabilidade", afirmou Mota Amaral, acrescentando que para o futuro "tem várias hipóteses em elaboração", entre elas escrever, mas não as suas memórias.

Pela primeira vez, a habitual conferência de imprensa para balanço anual da sua atividade na Assembleia da República decorreu na delegação do parlamento dos Açores em Ponta Delgada e não na sede do PSD/Açores, o que Mota Amaral disse ser "por razões óbvias que não vale a pena esmiuçar".

Mota Amaral não integra pela primeira vez, este ano, a lista de candidatos do PSD à Assembleia da República, pelos Açores, contra a sua vontade, tendo hoje reafirmado que está "magoado" com o partido por ser sido "substituído, excluído das listas depois do período de conflito com os órgãos nacionais do PSD a propósito da defesa dos Açores na questão da votação da lei de finanças regionais".

Sem símbolos partidários e sem gravata, assumiu que foi sondado por outros partidos e movimentos cívicos para se candidatar como deputado à Assembleia da República este ano, tendo sempre recusado, acrescentando ser "embaraçoso falar nisso".

"Houve sondagens, mas é obvio que eu não poderia ser candidato contra o partido de que fui um dos fundadores. Sou militante número um do PSD/Açores e número quatro do PSD nacional. Não faria sentido candidatar-me contra o meu partido", afirmou Mota Amaral, acrescentando que apesar de "tudo se perdoar" continua "magoado" com o partido no continente e nos Açores por ter sido excluído das listas.

Mota Amaral revelou, ainda, que não marcará presença durante a campanha eleitoral, nem participará na segunda edição da Universidade de Verão do PSD/Açores, que decorre esta semana na ilha de S. Jorge, por estar fora do país em representação da Assembleia da República na Assembleia do Conselho da Europa.

Durante a conferência de imprensa, Mota Amaral anunciou que tenciona solicitar ao Conselho de Jurisdição Nacional do PSD que se pronuncie sobre uma resolução recentemente aprovada que "impõe aos futuros deputados a obrigação de se fazerem substituir em votações de cujo sentido discordem, desde que assim tenha sido deliberado pelo grupo parlamentar por maioria simples".

"Pretende-se obviamente impedir a repetição dos episódios ocorridos na legislatura a findar com os deputados das regiões autónomas, que votaram contra a lei de finanças regionais -- os dos Açores -- e a Lei do Orçamento do Estado 2015 -- os da Madeira. Uns e outros, aliás, submetidos a processos disciplinares e excluídos em bloco das listas às próximas eleições", referiu Mota Amaral, que considerou que "a limitação em causa contraria o princípio da liberdade do exercício do mandato dos deputados conferido pelo povo soberano".

Lusa

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