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Professores do superior ameaçam fazer greve no arranque do ano

Os professores do ensino superior admitem fazer greve e avançar com protestos no arranque do ano letivo, para contestar a previsível saída da carreira docente de todos aqueles que não concluíram o doutoramento até ao final do regime transitório.

O Ministério da Educação anunciou hoje uma lista provisória de 15 professores de carreira integrados no sistema de requalificação aplicável à Administração Pública.

O Ministério da Educação anunciou hoje uma lista provisória de 15 professores de carreira integrados no sistema de requalificação aplicável à Administração Pública.

PAULO NOVAIS

"Atendendo à forte possibilidade de vários docentes do ensino politécnico que não concluíram os seus doutoramentos deixarem de estar abrangidos pelo regime transitório saíram da carreira, poderem ser dispensados, essas [greve e protestos] são algumas possibilidades que vão ser equacionadas na próxima sexta-feira", disse à Lusa o presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), António Vicente.

Na sexta-feira, dia 11 de setembro, o Conselho Nacional do sindicato vai reunir-se na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa ao início da tarde, para decidir que medidas de protesto vão ser adotadas.

"Provavelmente, iniciativas que venham a ser tomadas terão que o ser o mais rapidamente possível, ou seja, no início do ano letivo, porque é aí que se irão fazer sentir as anormalidades no funcionamento das instituições", disse António Vicente.

Ao sindicato preocupa que possam ser dispensados das instituições muitos professores que não concluíram o doutoramento -- grau exigido a partir do ano letivo de 2015-2016 para lecionar no ensino superior -- ao abrigo de um regime transitório criado para esse efeito, mas que tem merecido críticas dos sindicatos, que acusam instituições de não terem criado as condições acordadas para que os professores pudessem concluir essa habilitação.

António Vicente lembrou ainda que este ano houve um aumento significativo do número de alunos colocados no ensino superior na 1.ª fase do concurso nacional de acesso e deixou um alerta: "Se mantivermos esta tendência de aumento de número de alunos colocados, não podemos continuar a perder professores, porque as instituições irão ficar sem condições para poder dar resposta a este aumento da procura e isso preocupa-nos muito".

O presidente do SNESup lamentou ainda que o ensino superior e a ciência tenham ficado praticamente ausentes dos programas eleitorais.

"Estamos a entrar na reta final da campanha para as legislativas e daquilo que se vai conhecendo de propostas dos diferentes partidos são demasiado vagas sobre o ensino superior e ciência. É uma área que suscita pouco interesse, o que naturalmente nos preocupa", disse.

Lusa

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