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Cerca de 800 taxistas protestaram no Porto contra Uber

Cerca de 800 taxistas participaram hoje no Porto numa marcha lenta que partiu às 09:30 do Castelo do Queijo, passou na Baixa, na VCI e no aeroporto e que, quatro horas volvidas, se dirigia para o ponto de partida.

ESTELA SILVA

Neste protesto contra o transporte de passageiros por condutores ligados à aplicação eletrónica Uber, os condutores dos táxis oriundos de toda a Área Metropolitana do Porto e de algumas cidades do Norte e Centro fizeram todo o percurso sem provocar grandes incidentes, sendo acompanhados por forte dispositivo policial.

O único caso ocorreu na Via de Cintura Interna, sentido Porto/Arrábida, quando dois taxistas atiraram pedras à viatura de um colega que circulava em sentido contrário, presumindo-se que fosse por não ter aderido ao protesto.

Na zona do aeroporto, antes da chegada dos participantes no protesto, viam-se alguns taxistas a trabalhar com normalidade, escoando os passageiros que iam chegando, mas durante a passagem dos manifestantes, não ocorreu qualquer incidente, apesar de um grupo ter parado e saído dos veículos contrariando as ordens das autoridades policiais.

Durante todo o percurso, os motoristas de táxis não pararam de buzinar, exibindo também cartazes com frases que alertavam para a ilegalidade da atividade dos Uber e convidando-os a sair de Portugal.

Segundo explicou à Lusa José Monteiro, vice-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), o objetivo da manifestação foi "alertar o Governo e a sociedade para o incumprimento das decisões dos tribunais" no que se refere a atuação da empresa Uber no nosso país.

"Eles prestam um serviço ilegal e nada lhes é exigido, enquanto nos é-nos exigido tudo. É por isso que aqui estamos para fazer sentir que as coisas não estão bem", reiterou José Augusto, um outro motorista de táxi.

Os taxistas, que realizaram também uma marcha lenta em Lisboa e outra em Faro, pretendem entregar um dossiê explicativo das suas razões ao presidente do Instituto da Mobilidade Terrestre e à ministra da Justiça.

O Tribunal Central de Lisboa aceitou a 28 de abril deste ano uma providência cautelar interposta pela ANTRAL, e proibiu os serviços da aplicação de transportes Uber em Portugal, decisão que foi confirmada pelo mesmo tribunal em junho.

Nessa ocasião, fonte da Uber disse que a ANTRAL se enganou na empresa contra a qual dirigiu a providência cautelar e que acusou a aplicação de prestar um serviço que não é prestado em Portugal - o Uber-Pop, que permite a qualquer pessoa, sem formação, disponibilizar o seu carro pessoal na plataforma e transportar clientes.

Por seu lado, o presidente da ANTRAL acusa a Uber de "continuar a trabalhar da mesma forma" que trabalhava antes da decisão do tribunal.

Lusa

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