sicnot

Perfil

País

Fundador do Podemos diz que Portugal está encalhado num jogo de xadrez

Portugal está encalhado num tabuleiro de xadrez porque os movimentos portugueses de contestação contra a austeridade não souberam fazer chegar a mensagem aos cidadãos, disse hoje à Lusa, Juan Carlos Monedero, fundador do Podemos.

© Sergio Perez / Reuters

"Portugal é um país encalhado num tabuleiro de uma aborrecida partida de xadrez onde os peões continuam a jogar porque não têm possibilidade de sair do jogo", afirmou, em entrevista à Lusa, Juan Carlos Monedero, referindo-se aos partidos que têm governado o país.

O político espanhol frisa que cada Estado tem as suas peculiaridades e recorda que "a dada altura" o Bloco de Esquerda, em Portugal, cometeu erros ao não arriscar sendo que, sublinha, vive-se um momento em que as forças políticas que não arrisquem estão condenadas a serem devoradas pelo sistema ou a serem expulsas.

"É preciso avançar para a 'guerra de movimentos e de posições' que devem ter reflexos em mudanças na consciência política dos cidadãos ou então não serão duradouras e nem sequer se podem considerar transformações", alerta o fundador do Podemos, o partido espanhol que nasceu do Movimento 15-M, e das manifestações de "indignados".

"As mudanças que não operam no seio da sociedade civil não vão funcionar na sociedade política e, portanto, os movimentos, como em Portugal que foram contra a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e União Europeia), deviam ter evitado demasiada confrontação e deviam ter procurado construir alternativas. Foi por isso que os movimentos de contestação não funcionaram em casos como Portugal.

Para Monedero, os principais partidos portugueses enganaram os seus eleitores, como em toda a Europa, onde socialistas e liberais ou democratas-cristãos foram os gestores de um sistema democrático que se esvaziou.

Por outro lado, muitas das forças políticas que tinham de apresentar alternativas cometeram erros, e invalidaram as alternativas para construir uma maioria.

"A grande diferença de Espanha em relação aos países vizinhos foi o 15-M, um movimento de indignados, próprio de países católicos que não têm formas para canalizar os conflitos através das instituições", recorda o político e académico espanhol.

Monedero acredita que o Podemos vai ser a segunda força política de Espanha capaz de romper com a "loucura" do nacionalismo catalão e com o "nacionalismo 'espanholista' católico e tradicional" do Partido Popular.

"As eleições catalãs (27 de setembro) vão demonstrar que o Podemos, que é uma força política com pouco mais de um ano, é a formação com capacidade de romper a resignação do bipartidismo da Europa neoliberal e da troika e vai situar-nos para as eleições legislativas de dezembro numa posição muito proeminente", afirma Monedero.

"Estamos numa situação de triplo empate. Tanto o PSOE, o Partido Popular e o PODEMOS estão muito próximos em termos de resultados e isto é uma enorme vitória porque implica uma rutura do bipartidismo. Quem está deslocado são os socialistas que vão ter de escolher se nos apoia a nós ou se articula numa grande coligação para continuar com as políticas neoliberais que acabaram com o Estado Social em Espanha", disse ainda o fundador do PODEMOS.

Juan Carlos Monedero, 52 anos, fundador do Podemos é autor do livro "Curso Urgente de Política para Gente Decente" (editora Marcador, 247 páginas) que acaba de ser lançado em Portugal.

Lusa

  • Polémica sobre offshore intensifica guerra de palavras entre PSD e Governo
    2:39
  • DGO divulga hoje execução orçamental de janeiro

    Economia

    A Direção-Geral do Orçamento (DGO) divulga hoje a síntese de execução orçamental em contas públicas de janeiro, sendo que o Governo estima reduzir o défice para 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) em contabilidade nacional em 2017.

  • Paulo Fonseca e Paulo Sousa fora da Liga Europa

    Liga Europa

    A segunda mão dos 16 avos-de-final da Liga Europa ficou marcada pelas eliminações de duas equipas treinadas por portugueses: a Fiorentina de Paulo Sousa e o Shakhtar Donetsk de Paulo Fonseca. Paulo Bento, no Olympiacos, e José Mourinho, no Manchester United, são os únicos técnicos lusos ainda em competição. Noutros jogos, destaque para os afastamentos do Tottenham e do Zenit. Veja aqui os resumos de todos os encontros desta noite europeia. O sorteio dos oitavos-de-final está agendado para esta sexta-feira, às 12h00, hora de Lisboa.

  • "Não preciso de ajustar contas com ninguém"
    0:49

    País

    O ex-Presidente da República insiste que José Sócrates foi desleal durante as negociações do Orçamento do Estado para 2011. Numa entrevista dada à RTP1, Cavaco Silva esclareceu ainda que não escreveu o livro de memórias para ajustar contas com o ex-primeiro-ministro.

  • Sócrates em processo judicial surpreende Cavaco
    0:18

    País

    Cavaco Silva afirmou ter ficado surpreendido com o envolvimento de José Sócrates num processo judicial. Em entrevista à RTP1 o ex-Presidente da República diz que nunca se apercebeu de qualquer "atuação legalmente menos correta" da parte de Sócrates.

  • PSD questiona funcionamento da Assembleia da República
    2:39

    Caso CGD

    O PSD e o CDS vão entregar esta sexta-feira no Parlamento o pedido para criar uma nova Comissão de Inquérito sobre a Caixa Geral de Depósitos. Os dois partidos reuniram-se esta quarta-feira para fechar o texto do requerimento. Durante o dia, o PSD considerou que o normal funcionamento da Assembleia da República está em causa, o que levou Ferro Rodrigues a defender-se e a garantir que está a ser imparcial.

  • Marcelo rejeita discussões menores na banca
    0:32

    Economia

    O Presidente da República avisa que não se devem introduzir querelas táticas e menores no sistema financeiro. Num encontro que reuniu publicamente Marcelo e Centeno, o Presidente diz que é preciso defender o interesse nacional.

  • Três dos planetas encontrados podem conter água e vida
    3:28
  • Túnel descoberto em cadeia brasileira tinha ligação a uma habitação
    0:44

    Mundo

    A polícia brasileira descobriu um túnel que ligava a cadeia de Porto Alegre a uma casa e serviria para libertar prisioneiros do estabelecimento. As autoridades detiveram sete homens e uma mulher no local. A construção permitiria uma fuga massiva que poderia chegar aos 200 mil fugitivos e estima-se que terá custado mais de 300 mil euros. A polícia do Rio Grande do Sul acredita, assim, ter impedido aquela que seria a maior fuga de prisioneiros de sempre no Estado brasileiro.