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Escolas e autarquias desconhecem estudo sobre o radão em Bragança

Um estudo sobre a presença de radão, um gás radioativo natural, nas escolas de Bragança surpreendeu hoje diretores de agrupamentos e autarquias por nunca terem sido contactos e a presença de granito ser residual nos edifícios em funcionamento.

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Reuters

O granito é o material que liberta este gás potencialmente cancerígeno e que os interlocutores ouvidos pela Lusa alegam já não ser utilizado na construção dos edifícios em funcionamento, a maior parte novos, construídos de raiz na reorganização da rede escolar.

Motivo de estranheza é também o facto de nunca terem sido contactos ou lhe ter sido endereçado um pedido de autorização para se fazerem as medições do ar necessárias à realização de um estudo da natureza como aquele que foi hoje noticiado e realizado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

Sofia Sousa, professora e investigadora na FEUP, doutorada em engenharia do Ambiente, adiantou à Lusa que 84% das salas avaliadas neste estudo registaram níveis de partículas finas (poeiras) acima da legislação recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

As concentrações de radão (gás radioativo natural, poluente cancerígeno) encontradas estiveram também muitas vezes acima dos limiares legislados, especialmente no distrito de Bragança, revela o estudo, embora não se possa deduzir que as concentrações do radão vão provocar cancro, observou a investigadora.

Os dados recolhidos são "preocupantes, mas não alarmantes", considera a investigadora, explicando que uma medida simples e económica, como o arejamento do ar, pode diminuir consideravelmente os níveis de concentração destes poluentes e contribuir para que diminua a probabilidade de as crianças contraírem asma.

"Não tenho conhecimento do estudo, nem tive conhecimento de que o estudo se estava a realizar", afirmou à Lusa Teresa Sá Pires, diretora do Agrupamento de Escolas Abade de Baçal de Bragança.

A Lusa contactou os três maiores agrupamentos da região que concentram escolas desde o pré-escolar ao secundário.

Os alunos foram concentrados e acolhidos, a maior parte em edifícios novos, nomeadamente os do pré-escolar e primeiro ciclo.

No distrito de Bragança há concelhos onde já não funciona nenhuma das antigas escolas primárias construídas há décadas com recurso a materiais como o granito e que foram substituídas na concentração de alunos por edifícios com materiais recentes.

"As nossas construções são atuais e nenhum edifício foi feito com (esse) material clássico de antigamente", declarou à Lusa José Carrapatoso, diretor do Agrupamento de Escolas Miguel Torga de Bragança.

Este responsável garantiu também que não teve "qualquer contacto" para a realização do estudo.

Quem não tem também "conhecimento do estudo" ou de qualquer contacto é o diretor do Agrupamento de Escolas Emídio Garcia, Eduardo Santos.

"Nem sei se pediram à Câmara para fazer isso (porque) tinham de entrar dentro das salas de aulas", observou.

A Lusa contactou também a Câmara de Bragança e o gabinete de Comunicação informou que o presidente Hernâni Dias "teve conhecimento hoje do estudo pela Comunicação Social".

Nenhuma recomendação chegou ao presidente ou às chefias, assegurou a fonte indicando que o autarca já pediu mais informação para se inteirar da situação.

Quem não tem também conhecimento de que os municípios tenham sido contactos é o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes, Américo Pereira.

"É a primeira vez que oiço falar de um estudo desses. Parece-me até uma brincadeira. É mais um estudo igual a tantos outros que aparece para lançar notícias que tornam ainda mais deprimido o Interior", declarou à Lusa.

O presidente da CIM afirmou não ter "qualquer preocupação" com os alegados resultados do estudo, realçando que a região de Trás-os-Montes não é sequer das que em Portugal tem uma concentração de granito.

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