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Candelabros que pertenceram a capitalista português à venda por dois milhões de euros

Dois milhões de euros é o preço pedido por um par de candelabros em prata que pertenceram a Henrique Teixeira de Sampaio, importance comerciante e financeiro português do século XIX, e que vão estar expostos em Londres.

Decorados em baixo relevo com figuras míticas, folhas e cachos de uva e o brasão da família Teixeira de Sampaio, têm uma altura de 72,7 centímetros e pesam em conjunto 34,272 quilogramas.

Decorados em baixo relevo com figuras míticas, folhas e cachos de uva e o brasão da família Teixeira de Sampaio, têm uma altura de 72,7 centímetros e pesam em conjunto 34,272 quilogramas.

KAREN BENGALL / Lusa

Os candelabros de centro de mesa estão em destaque entre as mais de 200 peças na exposição, organizada pelos negociantes peritos em objetos de prata e ouro Koopman Rare Art, e que estará aberta entre 13 e 31 de outubro.

Decorados em baixo relevo com figuras míticas, folhas e cachos de uva e o brasão da família Teixeira de Sampaio, têm uma altura de 72,7 centímetros e pesam em conjunto 34,272 quilogramas.

Faziam parte de uma baixela em prata para 180 pessoas encomendada pelo português a Paul Storr em 1822-23, considerada agora um dos seus trabalhos mais elaborados e significativos.

"São excecionais, não só por serem uma obra de um dos maiores ourives inglês, mas também por possuírem uma história e proveniência tão distinta. O preço pedido pelo par de candelabros é 1,5 milhões de libras (2,04 milhões de euros)", disse à agência Lusa Timo Koopman, diretor da empresa.

O responsável afirmou que comprou as peças ao proprietário anterior, sendo esta apenas a terceira vez que estão à venda.

Segundo a revista "Ourivesaria Portuguesa", os "fruteiros/candelabros" que fazem parte da exposição em Londres fizeram parte de um lote, juntamente com outra peça, numa primeira venda pela Christie's, em Genebra, em 1976.

Mais tarde, em 1988, foram vendidos pela Christie's em Nova Iorque, por 467.500 dólares (cerca de 415 mil euros no câmbio atual).

Henrique Braga, co-editor da publicação e avaliador de pratas e jóias, declarou à Lusa que é difícil que seja alcançado o preço pedido em Londres, embora acrescente que o "valor real é aquele que é pago".

O interesse nestes candelabros, comentou, ficou diminuído desde a separação de outros elementos que compunham o centro de mesa da baixela, alguns dos quais no museu da Preservation Society de Newport County, em Rhode Island, EUA.

É o caso de um candelabro com três ninfas debaixo de uma palmeira, alegadamente representando o mito grego "Julgamento de Páris", e do plateau circular com pés de concha, doados pelos colecionadores Claus e Sunny von Bulow.

A dispersão do conjunto da baixela, que foi sendo vendida pelos herdeiros da família desde meados dos anos 1970, reduz também o valor histórico enquanto património nacional.

"Embora seja um grande orgulho para Portugal que estas peças sejam das mais importantes feitas por Storr", garante Henrique Braga.

Timo Koopman afirma que algumas peças ainda pertencem aos herdeiros de Teixeira Sampaio, enquanto que outras têm aparecido no mercado, algumas das quais passaram pela Koopman.

"Se o serviço inteiro fosse reunido novamente, valeria vários milhões", garantiu à Lusa.

Henrique Teixeira de Sampaio (1774-1833) estudou em Inglaterra e fez fortuna com o fornecimento de produtos alimentares às forças armadas portugueses e, mais tarde, às inglesas em Portugal durante as invasões napoleónicas e também com o monopólio da venda de tabaco em Portugal.

Foi secretário de Estado dos Negócios da Fazenda, posição equivalente à de ministro das Finanças, e o maior acionista do Banco de Lisboa, que mais tarde se tornou no Banco de Portugal, tornando-se nos anos 1820, por essa via, no maior credor da nação.

Além de muito dinheiro, acumulou também os títulos de Barão de Teixeira e Conde da Póvoa, tendo residido no palácio que hoje é sede da Procuradoria-Geral da República, em Lisboa.

Paul Storr (1771-1844) foi um dos mais famosos ourives ingleses, cuja clientela incluía a família real e aristocracia britânica, nobres europeus e norte-americanos importantes.

Paralelamente à exposição será editada uma biografia homónima chamada "Art in Industry: The Silver of Paul Storr", da autoria de Christopher Hartop, em cuja capa figuram os candelabros da baixela de Teixeira de Sampaio.

Lusa

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