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Distinguida investigação que propõe novo tratamento para doença da próstata

A investigadora da Universidade do Porto Isabel Silva foi premiada com um trabalho que propõe um novo mecanismo para o tratamento da hiperatividade vesical em homens com hiperplasia benigna da próstata, anunciou hoje fonte académica.

(Arquivo)

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© Stefan Wermuth / Reuters

Isabel Silva, estudante do Programa Doutoral em Ciências Biomédicas do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), foi distinguida com o prémio da "Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica" apresentada na Reunião Mundialda International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN), uma sociedade científica composta por investigadores especializados no estudo do Sistema Nervoso Autónomo.

Em comunicado, a Universidade do Porto esclarece que este mecanismo, pela primeira vez descrito e com aplicabilidade prática, originará o desenvolvimento de um futuro medicamento.

A hiperplasia prostática benigna, frequente em homens com mais de 50 anos, pode provocar estreitamento da uretra e dificultar o fluxo da urina. Como a bexiga não se despeja por completo em cada micção, tem de urinar com maior frequência, sobretudo à noite (nictúria) e a necessidade torna-se cada vez mais imperiosa.

Intitulado "Blockage of UDP sensitive P2Y6 receptors as a novel therapeutic strategy to control urine storage symptoms in men with bladder outlet obstruction", o estudo apresentado pela investigadora portuense foi realizado no âmbito da colaboração entre o Laboratório de Farmacologia e Neurobiologia do ICBAS, o Centro para a Descoberta de Fármacos e Medicamentos Inovadores (MedInUP) do ICBAS e o Serviço de Urologia do Centro Hospitalar do Porto (CHP).

De acordo com a Universidade do Porto, a curto/médio prazo o foco principal deste trabalho, já publicado na revista Autonomic Neuroscience: Basic and Clinical, é conseguir tratar a sintomatologia urinária persistente associada à irritabilidade da bexiga (mesmo após a remoção cirúrgica da próstata) com uma nova classe de medicamentos inovadores, eventualmente mais eficazes e com menos efeitos adversos que os usados habitualmente, cujo sucesso tem sido limitado devido aos seus efeitos adversos.

O trabalho de Isabel Silva esteve a concurso com mais de 300 comunicações provenientes de mais de 30 países, incluindo outras quatro comunicações do grupo de investigação liderado por Paulo Correia de Sá.

Os congressos da ISAN são reuniões de âmbito mundial. A edição deste ano decorreu em Stresa (Itália) entre os dias 26 e 29 de setembro e contou com a colaboração/patrocínio reforçados das Sociedades Europeia, Federation of European Autonomic Societies (EFAS), Americana, American Autonomic Society (AAS), e Japonesa, Japan Society of Neurovegetative Research (JSNR), de neurociências autonómicas, que são as mais prestigiadas neste âmbito do conhecimento.

Lusa