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Fenprof diz que dados europeus sobre salários dos docentes favorecem mais cortes

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) defendeu hoje que a publicação de dados, pela União Europeia, relativos aos ordenados dos professores, que os colocam entre os mais bem pagos da Europa, é conveniente para aplicar mais cortes.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

LUSA

"Já no passado a Fenprof contestou os dados utilizados nestas comparações internacionais, pois são incorretos e fazem passar uma ideia falsa sobre a situação remuneratória dos professores portugueses. Porém, interessará mais aos nossos governantes omitirem a situação real para, desta forma, criarem condições sociais favoráveis ao que, há muito, pretendem: reduzir os salários dos professores e também acabar com a carreira única", defende a organização sindical, em comunicado divulgado hoje.

Os salários dos professores e diretores das escolas portuguesas são dos mais altos da Europa, quando comparados com o Produto Interno Bruto (PIB) 'per capita', segundo um estudo da Eurydice, mas ficam a meio da tabela, em termos brutos.

Quando estão em início de carreira, os professores das escolas públicas portuguesas recebem cerca de 21.960 euros brutos anuais, um salário que vai subindo até aos 41.537 euros, quando atingem o topo de carreira.

Os ordenados dos professores portugueses surgem no relatório do organismo da União Europeia responsável pela compilação e análise das políticas educativas europeias, que decidiu comparar a situação em 37 países europeus.

Em termos de salário bruto, portugueses ficam a meio da tabela, com mais de 15 países com vencimentos mais baixos e outros tantos com ordenados mais elevados.

A Fenprof considera que os dados apresentados no relatório são enviesados, desde logo por terem em conta uma comparação com o PIB e não com o indicador Paridade do Poder de Compra.

A estrutura sindical entende ainda que os dados não refletem a realidade por não terem em conta os cortes salariais em vigor desde 2011, por ignorarem que os professores estão impedidos de alcançar o topo da carreira e os congelamentos das progressões, e por não contabilizarem os impostos a retirar ao vencimento bruto.

"Num momento em que o governo (atual ou futuro) se prepara para avançar com uma Tabela Remuneratória Única (TRU) para toda a Administração Pública, pela qual pretende impor a desvalorização das carreiras de diversos corpos especiais, incluindo os docentes, a manipulação destes dados é, para si, de toda a conveniência. Falta saber se as condições políticas criadas após as eleições de 4 de outubro permitirão concretizar essa intenção. A Fenprof tudo fará, com os professores, para a contrariar", conclui o comunicado da federação sindical.

Lusa

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