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Arqueólogos colocam a descoberto fortificação medieval em Freixo de Espada à Cinta

Uma equipa de arqueólogos ao serviço do município de Freixo de Espada à Cinta está a colocar a descoberto, na zona histórica da localidade transmontana, vestígios da antiga fortaleza medieval da vila, presumivelmente datada do reinado de D. Dinis.

O trabalho procura descobrir o perímetro das muralhas, que deverá rondar os cerca de 300 metros e que, ao que tudo indica, era composto por oito torres de menagem, sendo considerado pelos arqueólogos como um castelo "opulento" para a região de fronteira.

João Nisa, um dos investigadores envolvidos nas escavações, disse à Lusa que se trata de uma fortificação do século XIII, que ao longo do tempo foi sendo "desmantelada", para que as "pedras já trabalhadas" fossem utilizadas na construção de algumas das casas "das famílias mais emblemáticas" da vila de Freixo de Espada à Cinta, do início do século XIX.

"Quem se der ao cuidado de passear pelas ruas da zona histórica de Freixo de Espada à Cinta, depressa se apercebe de que as pedras utilizadas na construção de diversas casas são trabalhadas e detêm o símbolo do canteiro que as talhou, à semelhança do que era usual na Idade Média", justifica.

No local onde esteve edificada a fortificação, só resta a Torre do Galo, de planta heptagonal, que na opinião dos investigadores só resistiu ao tempo "por esta edificação suportar os sinos que ecoam na vila, já que a igreja matriz não tem torre sineira.

"É possível observar que não existe nada do antigo castelo medieval. Com a retirada da sua função de sentinela do Douro, tudo é explicado com a construção de um cemitério no interior do recinto muralhado em 1836 e consequente demolição de alguns troços da muralha defensiva", acrescentou o investigador.

A zona envolvente ao atual cemitério vai ser intervencionada, sendo por isso objetivo, colocar a descoberto, tudo o que seja possível, para assim se perceber melhor, um pouco do passado da localidade raiana.

Até ao momento, já foi possível pôr a descoberto parte das fundações da muralha, a porta principal do castelo e uma das torres octogonais que integravam a linha defensiva da fortificação.

Para além de contribuir para a defesa do invasor castelhano, o castelo de Freixo de Espada à Cinta tinha por missão defender o percurso da travessia do rio Douro, feita através de uma barca, que fazia a ligação transfronteiriça com o reino de Castela.

Freixo de Espada à Cinta e o seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu Livro das Fortalezas, datado de 1509,onde se destaca a cerca da vila reforçada por diversas torres, de planta hexagonal e pentagonal, dispostas a intervalos regulares e o castelo cercado pela barbacã (um muro anteposto às muralhas, de menor altura).

Por este e outros motivos, a autarquia está apostada em revitalizar esta zona da vila do distrito de Bragança e conservar "os seus primórdios".

A presidente da Câmara, Maria do Céu Quintas, refere que é preciso dignificar uma área onde estão as memórias de Freixo de Espada à Cinta.

"Pretendemos que os vestígios do antigo castelo, em conjunto com outros monumentos emblemáticos, sejam um ponto de atração turista para a vila", concluiu.

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