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Evolução de parasitas e de hospedeiro humano estudada pela primeira vez em Portugal

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) estão a realizar os primeiros estudos em Portugal para conhecer a evolução dos parasitas e dos seus hospedeiros humanos e para melhor entender e lidar com algumas patologias atuais.

© Phil Noble / Reuters

O Departamento de Ciências da Vida (DCV) e do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da UC estão a realizar "os primeiros estudos paleoparasitológicos em Portugal", anunciou hoje aquela universidade.

A paleoparasitologia estuda os vestígios de parasitas em populações antigas para fornecer informação que, além de explicar "o surgimento e a evolução dos parasitas e dos seus hospedeiros humanos, pode ser útil para melhor entender e lidar com algumas patologias da atualidade", refere a UC, numa nota hoje divulgada.

Os investigadores têm estado a analisar sedimentos recolhidos em esqueletos humanos adultos (homens e mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 70 anos), desde o século VIII até ao século XX.

Os primeiros resultados conhecidos sugerem que a população portuguesa, particularmente da região de Lisboa, "tinha menos verminoses que outras populações da Europa", fenómeno cujos motivos são desconhecidos, mas que pode dever-se a uma "alimentação diferenciada ou mais saudável".

Através de amostras, retiradas da cavidade pélvica dos esqueletos, foram identificados e quantificados os parasitas intestinais existentes, tendo sido verificado que "o número de ovos presentes -- entre cinco e 50 por grama de sedimento de cada indivíduo -- é muito inferior ao de outros povos da Europa, em que alguns estudos indicam a presença de centenas ou milhares de ovos de parasitas por humano", afirma Luciana Sianto, investigadora principal do estudo.

Os parasitas identificados têm sido "essencialmente 'ascaris lumbricoides' e 'trichuris trichiura' (lombrigas), parasitas comuns que são transmitidos de humano para humano", acrescenta a investigadora do CIAS.

Estes e outros dados obtidos no âmbito do estudo, com coordenação local de Ana Luísa Santos, serão associados a resultados de alguns países da América, da Ásia, da África e de Europa.

Para consolidar informação sobre os parasitas, a equipa de investigadores envolvidos no projeto quer analisar o maior número possível de amostras e, pede, por isso, a colaboração da comunidade científica nacional da área (arqueologia e antropologia) para o fornecimento de material, cuja recolha exige alguns cuidados e para a qual elaborou um manual de procedimentos intitulado "Paleoparasitologia em Portugal - os caminhos dos parasitos", o estudo é cofinanciado pelo programa brasileiro Ciência sem Fronteiras (CNPq) e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Lusa

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