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Durão Barroso espera que coligação e PS "se entendam" em nome da estabilidade

O ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso afirmou hoje, em Macau, esperar que a coligação PSD-CDS/PP e o PS se entendam para a formação do governo, a fim de dar ao país "condições de estabilidade".

Num dos últimos discursos enquanto chefe do executivo comunitário, Durão Barroso afirmou: "Fui presidente da Comissão Europeia na sua pior fase de sempre". A discursar de improviso, em Estrasburgo, o português que liderou os destinos da Comissão Europeia durante uma década, sublinhou também que “as forças de integração são maiores que as de desintegração”, mas que isso teve um preço, nomeadamente a falta de apoio de algumas capitais europeias. E a concluir, despediu-se em várias línguas: “Auf Wiedersehen, goodbye, au revoir, adeus”.

Num dos últimos discursos enquanto chefe do executivo comunitário, Durão Barroso afirmou: "Fui presidente da Comissão Europeia na sua pior fase de sempre". A discursar de improviso, em Estrasburgo, o português que liderou os destinos da Comissão Europeia durante uma década, sublinhou também que “as forças de integração são maiores que as de desintegração”, mas que isso teve um preço, nomeadamente a falta de apoio de algumas capitais europeias. E a concluir, despediu-se em várias línguas: “Auf Wiedersehen, goodbye, au revoir, adeus”.

© Christian Hartmann / Reuters

"Visto que não há uma maioria absoluta na Assembleia da República era importante que a força política que ganhou e a principal força da oposição se entendessem, dando ao país condições de estabilidade e um governo coerente", defendeu, ao sublinhar que "os partidos têm os seus interesses próprios", mas que "o país está acima dos partidos".

Neste sentido, o ex-primeiro-ministro considerou que "se não for possível que o governo tenha uma maioria que haja pelo menos acordos parlamentares que permitam a estabilidade em Portugal".

"Portugal fez um grande progresso nos últimos anos. Portugal esteve numa crise financeira profunda, voltou a ganhar a confiança dos investidores internacionais, mas nada é irreversível. É importante que agora se consolide a confiança em Portugal e que não haja problemas políticos que venham a gerar outra vez um ciclo de desconfiança. Eu espero que isso venha a acontecer", disse.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, começa hoje a receber os partidos que elegeram deputados à Assembleia da República, estando agendadas para esta tarde audiências com o PSD, PS, Bloco de Esquerda e CDS-PP.

A ronda pelos partidos termina na quarta-feira com os encontros com as delegações do PCP, Partido Ecologista "Os Verdes" e do PAN - Pessoas-Animais-Natureza.

A Constituição da República prevê que o primeiro-ministro é "nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais".

Nas eleições de 04 de outubro, a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) perdeu a maioria absoluta e obteve 107 mandatos (89 do PSD e 18 do CDS-PP). O PS elegeu 86 deputados, o BE 19, a CDU 17 (dois do PEV e 15 do PCP) e o PAN elegeu um deputado.

Entre a coligação PSD/CDS-PP e o PS as negociações chegaram a um 'impasse', com as críticas entre dirigentes socialistas e sociais-democratas e democratas-cristãos a subirem de tom nos últimos dias.

No domingo, o presidente dos sociais-democratas, Pedro Passos Coelho, desafiou o secretário-geral do PS, António Costa, a enviar uma "contraproposta objetiva" para mostrar empenho nas negociações e a dizer com clareza se pretende entrar numa coligação de Governo com PSD e CDS-PP.

Já na segunda-feira, o secretário-geral socialista acusou Passos Coelho de procurar inverter o ónus de ter posto um ponto final nas conversações, sustentando que as divergências não são de lugares, mas de "reorientação de política".

Durão Barroso, de visita a Macau, onde hoje lhe foi atribuído o título de professor coordenador honorário do Instituto Politécnico de Macau, não quis, contudo, tecer comentários quando questionado relativamente às eleições presidenciais.

"Não vou agora entrar mais em política partidária portuguesa", disse.

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