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Produtores de presunto de Barrancos contestam alarmismo

Os produtores dos emblemáticos presuntos e enchidos de Barrancos, no Alentejo, mostraram-se hoje tranquilos e contestaram o "alarmismo" à volta da classificação dos alimentos processados como cancerígenos, assegurando que fabricam produtos de qualidade e curados naturalmente.

NUNO VEIGA

Em declarações à agência Lusa, o diretor-adjunto da Barrancarnes, João Chamorro, disse que a empresa recebeu a notícia da classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) "com alguma preocupação", mas que, por outro lado, está "tranquila", porque faz "produtos de qualidade, seguindo todas as normas de qualidade que existem no mercado"

"Trabalhamos com um produto natural, o porco preto, que vive e é alimentado no campo de forma natural, por isso estamos um bocadinho tranquilos, o nosso produto é curado naturalmente, não recorremos a fumeiro, é cura totalmente natural", afirmou o responsável da Barrancarnes, uma das duas empresas de Barrancos, no Alentejo, e a líder em Portugal de produtos derivados de porco preto de raça alentejana alimentado a bolota.

Segundo João Chamorro, a notícia "poderá ter um impacto de assustar o consumidor", o qual se "usar o senso comum e comer de forma variada, de tudo um bocadinho, não vai ter problemas nenhuns".

A classificação da OMS não vai mudar "absolutamente nada" na estratégia comercial da Barrancarnes, que continuará a produzir de forma artesanal "como até hoje, sem problemas nenhuns", a sua gama de produtos transformados, como o presunto e a paleta de Barrancos de Denominação de Origem Protegida (DOP), frisou.

A outra empresa da terra, a Sabores de Barrancos, também recebeu a notícia "com alguma preocupação", porque, "logicamente, pode ter algum impacto nas vendas e no consumo de todos os produtos processados, enchidos, hambúrgueres, salsichas", disse à Lusa o sócio-gerente Emílio Domingues.

"Devemos manter a calma e continuar a consumir os produtos", defendeu Emílio Domingues, referindo que os presuntos e enchidos de Barrancos "têm uma característica própria", ou seja, "são curados de forma natural, não há recurso ao fumeiro, e o risco para o consumidor é mínimo".

"É possível" que a notícia "tenha algum impacto" nas vendas, mas "é difícil prever", disse Emílio Domingues, referindo que, "com o aproximar do Natal, as pessoas vão recordar um bocadinho as tradições, e os enchidos e os presuntos fazem parte da mística e dos produtos que são consumidos no Natal, e retomar o consumo de forma moderada, que é o que deve ser feito, "porque, sendo consumidos de forma moderada não há perigo para a saúde humana".

Segundo o presidente da Câmara de Barrancos, António Tereno, "o alarmismo que se gerou depois da difusão do relatório da OMS é infundado" e "nada vai afetar a produção e muito menos a transformação e venda" dos presuntos e enchidos do concelho.

"Comer demais certo tipo" de produtos "pode prejudicar" a saúde humana, mas os presuntos e enchidos de Barrancos são produtos "caros" e não se consomem em demasia, disse, defendendo que "não se pode medir tudo pela mesma bitola" e equiparar alimentos processados ao tabaco "é um alarmismo sem fundamento nenhum"

Por outro lado, segundo o autarca, os presuntos e enchidos de Barrancos são produtos "de qualidade" e "não são exatamente o mesmo do que as salsichas de Frankfurt, há uma diferença enorme.

"Estou perfeitamente tranquilo e todos os produtores de Barrancos no sentido em que vamos continuar a produzir [produtos derivados de porco preto de raça alentejana], porque todas as condições de segurança estão aqui verificadas", assegurou, referindo que, "tendo em conta que tudo pode fazer mal, se calhar qualquer dia deixamos de comer".

Mas, "as pessoas sabem distinguir o que é bom e o que é mau e, naturalmente, aquilo que é numa base industrial tem os seus riscos e consumir em demasia também tem os seus riscos", rematou.

Lusa

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