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Mãe acusada de agredir e sequestrar professora na Amadora nega crimes em tribunal

A mãe de uma aluna de uma escola secundária da Amadora, acusada de ter sequestrado, agredido e ameaçado uma professora, em maio de 2014, começou hoje a ser julgada e negou a autoria dos crimes.

A mulher, residente no concelho de Amadora, responde em tribunal por sequestro, ofensa à integridade física qualificada e por um crime de ameaça agravado.

Segundo o despacho de acusação do MP, proferido em abril, a arguida, mão de uma aluna da escola, deslocou-se ao estabelecimento de ensino, no dia 07 de maio de 2014, para falar com a diretora de turma na sequência da comunicação de faltas injustificadas da filha.

"Insatisfeita com as explicações recebidas, a arguida bateu por duas vezes na professora (...) e manteve-a fechada dentro da sala de atendimento, cuja saída barrou, impedindo a docente de sair como era sua vontade, até que esta logrou fazer um telefonema a pedir auxílio", sustenta o MP.

Hoje de manhã, na primeira sessão do julgamento, que decorre no Tribunal da Comarca da Grande Lisboa/Noroeste, na Amadora, quando confrontada pela juíza e pela procuradora do Ministério Público, a arguida negou que tenha tocado na professora, acusando a docente de estar a "inventar as acusações".

"Eu estou abismada com isto. Não percebo porque é que ela está a dizer que eu lhe bati. Em nenhum momento toquei na senhora", afirmou.

Ao invés, a mulher defendeu-se, acusando a professora de ter sido "mal-educada" e de se ter negado a falar com ela por mais de cinco minutos: "Desde que cheguei à sala que gritou comigo e disse que só tinha cinco minutos para me receber. Eu permanecia impávida e serena", contou.

Além de ter negado as agressões, a encarregada de educação negou também que tenha sequestrado a docente na sala dos diretores de turma, referindo que a porta nunca esteve trancada: "A porta nem sequer tinha fechadura. Se a professora quisesse ter saído podia ter saído", justificou.

Versão contrária apresentou a professora vítima das supostas agressões, referindo ao tribunal que durante o diálogo com a mãe da aluna manteve sempre a postura mais calma possível.

"Até àquele dia a senhora nunca tinha ido à escola. Ela foi sempre informada da data das reuniões e das faltas da filha. Não consigo perceber o que a motivou a agredir-me", contou.

Para corroborar esta versão estiveram na sessão duas professoras, que auxiliaram a vítima quando esta pediu auxílio, e a funcionária que recebeu a chamada de socorro.

As duas docentes confirmaram ao tribunal que a vítima foi encontrada com a "face vermelha e com marcas de dedo".

Por seu turno, o MP, já na fase das alegações finais, defendeu a condenação da arguida, uma vez que esta "não admitiu os factos, nem mostrou consciência crítica relativamente à sua conduta".

Contudo, uma vez que a arguida não tem antecedentes criminais, o MP considerou que deveria existir lugar a uma pena de prisão, mas que esta deveria ser suspensa na sua execução.

Já a advogada da arguida destacou o facto de as agressões não terem sido vistas por ninguém e considerou não estarem reunidos todos os pressupostos para o crime de sequestro.

A leitura da sentença ficou marcada para o dia 09 de novembro, pelas 14:00.

Lusa

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