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Produtores pecuários dizem que susto causado por relatório sobre carne "já passou"

O diretor da Federação de Cooperativas de Produtores Pecuários (Fenapecuária) afirmou esta sexta-feira que o susto causado pelo relatório sobre o potencial cancerígeno das carnes processadas e das carnes vermelhas já passou, referindo que "o 'tsunami' não chegou a terra".

(Arquivo)

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Reuters

"Vimos o 'tsunami' aproximar-se, mas não chegou a terra", disse hoje o diretor da Fenapecuária, Vítor Menino, à Lusa, quando chamado a comentar os eventuais impactos para o setor do estudo da Agência Internacional para a Investigação em Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em declarações à Lusa, o responsável desdramatizou as consequências para os produtores pecuários, referindo que "em Portugal não se consomem carnes processadas em excesso; pelo contrário, o consumo nacional está abaixo da média".

É neste âmbito que garante que "o susto já passou" e que o setor "está tranquilo".

A carne processada -- como bacon, salsichas ou presunto -- é cancerígena para os seres humanos, segundo um estudo divulgado na segunda-feira pela Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC, na sigla em inglês).

O mesmo documento da IARC (agência que depende da Organização Mundial de Saúde - OMS) alertou que a carne vermelha também é "provavelmente" cancerígena.

O relatório referiu que a ingestão diária de 50 gramas de carne processada -- menos de duas fatias de bacon -- aumenta a probabilidade de desenvolver cancro colorretal (também conhecido como cancro do intestino) em 18%.

O documento foi elaborado por um grupo de trabalho composto por 22 especialistas de 10 países, que foram convocados para o Programa de Monografias da IARC, organização com sede na cidade francesa de Lyon.

A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (CONFAGRI) criticou as notícias "alarmistas" sobre o consumo de carne e apelou às autoridades responsáveis para que desenvolvam uma campanha de esclarecimento junto da população.

A Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes já tinha rejeitado "firmemente" a classificação feita pela IARC por ser "inapropriado atribuir a um único fator um risco aumentado de cancro", uma vez que se trata de um "assunto muito complexo" que depende de vários fatores, como idade, genética, dieta, ambiente e estilo de vida.

Lusa

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