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Pescadores e moradores contra demolições na Fonte da Telha

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A Câmara de Almada quer demolir grande parte dos mais de 500 edifícios da Fonte da Telha e candidatar-se a fundos comunitários para a requalificação urbanística daquele território, mas moradores e pescadores não querem perder as casas que construíram.

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

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O Plano de Pormenor de Reconversão da Quinta do Guarda-Mor, que se encontra em discussão pública até 12 de novembro, visa a reconversão urbanística e o ordenamento de uma área de cerca de 16 hectares na Fonte da Telha e resulta da necessidade de ordenamento daquela zona ribeirinha, de acordo com o Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sintra-Sado.

Moradores e pescadores estão preocupados com a perspetiva de ficarem sem as casas que ali construíram, mas, para já, vão aproveitar a fase de discussão pública para contestarem as demolições anunciadas e para tentarem saber o que o futuro lhes reserva.

"Tendo nós uma casa e um terreno, queremos saber o que pensam fazer, porque, se nos vão dar uma casa num bairro social - é isso que dizem as pessoas aqui -, não nos estão a dar nada, porque nós vamos ter de comprar [as casas] ou pagar um aluguer. Algumas pessoas já têm advogados a contestar as demolições", disse à Lusa Cristina Laranjeira, que pertence a uma associação de moradores.

Os pescadores também não se conformam com a ideia de perderem as casas e estranham que alguns estabelecimentos tivessem sido autorizados a permanecer no local, uma vez que estão mais perto da linha de água do que as habitações.

"Eles querem deitar a Fonte da Telha abaixo, mas vão deixar ficar três estabelecimentos, que estão mais abaixo [mais perto do mar]. Se um dia o mar chegar aqui às nossas casas, que estão mais para o interior, esses estabelecimentos que vão ficar [não serão demolidos], e aqueles que eles vão fazer, desaparecem não sei quantos anos antes. Mas eu estou convencido de que o mar não vai chegar aqui", disse o pescador Mário Figueiredo, que dirige outra associação de moradores e pescadores.

A vereadora do Urbanismo da Câmara de Almada, Amélia Pardal, diz compreender as preocupações dos moradores e da comunidade piscatória e garante que todas as situações serão avaliadas "caso a caso".

"Naturalmente que, para cumprir o Plano de Ordenamento da Orla Costeira, terão que ser feitas demolições. Estamos a falar de 577 habitações, sendo que da comunidade piscatória serão cerca de 70", disse Amélia Pardal, assegurando que uma das principais preocupações do município é, justamente, preservar a comunidade piscatória da Fonte da Telha.

A vereadora do Urbanismo da Câmara de Almada referiu também que, além das casas construídas pelos pescadores na Fonte da Telha, há outras casas de primeira habitação, algumas licenciadas, e apoios de praia também licenciados pela Agência Portuguesa do Ambiente, o que significa que a execução do Plano de Pormenor vai exigir recursos financeiros significativos.

"Vamos empenhar-nos, junto do poder central, para que, em conjunto, possamos encontrar formas de financiamento para a execução do plano, nomeadamente potenciando aquilo que podem ser os recursos do [novo quadro comunitário de apoio] `Portugal 2020", disse Amélia Pardal, lembrando que é necessário construir novas casas para o realojamento dos moradores e proceder ao tratamento e renaturalização das arribas.

Lusa

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