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Algarve tem muitos problemas de ordenamento e de esgotos pluviais, aponta especialista

Um especialista em ordenamento do território defendeu esta segunda-feira que o Algarve tem "muitos problemas" de organização urbana, com impermeabilização de "vastas áreas" e esgotos pluviais desadequados ao crescimento das localidades, e sem capacidade para suportar chuvadas mais fortes.

Um dos casos mais problemáticos deu-se em Albufeira, onde a Proteção Civil teve de retirar pessoas de habitações e estabelecimentos comerciais inundados.

Um dos casos mais problemáticos deu-se em Albufeira, onde a Proteção Civil teve de retirar pessoas de habitações e estabelecimentos comerciais inundados.

Lusa

"Temos muitos problemas de desordenamento no Algarve, temos um território muito mal organizado e isto é agravado pelo facto de as infraestruturas, neste caso dos esgotos pluviais, não terem acompanhado o crescimento urbano", afirmou hoje o professor da Universidade Nova de Lisboa João Joanaz de Melo.

"O que fizemos foi impermeabilizar vastas áreas com edificações e estradas e não se acompanhou isso com infraestruturas de esgotos pluviais, capazes de suportar uma chuvada um pouco maior", salientou.

João Joanaz de Melo, também dirigente do GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente), falava à agência Lusa a propósito das chuvas intensas que atingiram o Algarve no domingo e provocaram inundações em vários concelhos, nomeadamente em Loulé, Albufeira, Portimão, Olhão e Silves.

Um dos casos mais problemáticos deu-se em Albufeira, onde a Proteção Civil teve de retirar pessoas de habitações e estabelecimentos comerciais inundados.

O professor de engenharia do ambiente da Universidade Nova de Lisboa disse que é necessário ter a noção de que, "quando há pequenas bacias hidrográficas quase completamente impermeabilizadas, isto é inevitavelmente uma receita para o desastre, em caso de chuva forte".

"No Algarve, temos, de uma forma muito desorganizada, áreas urbanas extensas impermeabilizadas e, muitas vezes, mal servidas também por sistemas de saneamento", insistiu.

Nas situações em que se regista uma grande quantidade de precipitação num espaço curto de tempo, "quanto mais impermeável está o terreno, mais água escorre à superfície em vez de se infiltrar" no solo, e quando existem ruas e estradas, explicou João Joanaz de Melo, "essa concentração é muito rápida".

Por isso, "nas cidades estamos a ter cheias mais graves do que no campo porque no campo a maior parte da água vai infiltrar-se na terra".

A juntar às questões da impermeabilização do território e à dimensão desadequada do saneamento, o dirigente do GEOTA refere a construção em leito de cheia.

"Um outro aspeto, especialmente significativo no Algarve, é o problema da construção em leito de cheia", área ao lado de um rio ou ribeira, que só inunda em episódios de chuva muito intensa, concentrada em pouco tempo.

João Joanaz de Melo alerta ser "muito importante que o leito de cheia não tenha construções permanentes" e seja antes utilizado para jardins ou parques.

Lusa

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