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Câmara de Lisboa e instituto japonês trocam conhecimento sobre desastres naturais

A Câmara de Lisboa e o instituto japonês Hyogo Research Institute assinaram hoje um acordo de cooperação que visa a produção de conhecimento sobre desastres naturais, através da partilha de experiências, destacando a importância de consciencializar os cidadãos.

© Issei Kato / Reuters

Segundo o vereador da Segurança, Proteção Civil e Relações Internacionais da Câmara de Lisboa, Carlos Manuel Castro, a cooperação com o instituto de pesquisa de Hyogo, no Japão, vai permitir a "qualificação dos quadros técnicos do município" na área da proteção civil, possibilitando "conhecer mais e melhor a realidade para fazer face aos desastres naturais".

"Não temos noção do impacto que teria hoje na cidade se acontecesse o que aconteceu há 260 anos [terramoto de 1755]. Aquilo que percebemos, e é essa a grande lição que o Japão dá ao mundo, é que dotando as pessoas de mais meios e de consciência daquilo que são os riscos teremos uma capacidade melhor de responder a esses desafios", disse o vereador.

No âmbito da conferência internacional "O Terramoto de 1755 -- Lisboa Resiliente", que decorre hoje na capital, o vereador justificou a cooperação com o Japão por ser um país que enfrenta desastres naturais com muita frequência, pelo que "tem um conhecimento muito mais aprofundado do que a maior parte dos países europeus".

"O que é necessário é obter os melhores conhecimentos, as melhores práticas e depois, naturalmente, adaptá-las à realidade", afirmou o autarca, considerando que, se a cidade de Lisboa voltar a ser confrontada com uma catástrofe natural, o município e os cidadãos vão estar, "seguramente, mais preparados e mais habilitados para lidar com essas situações".

A realidade japonesa demonstra que "80% dos resgates em caso de desastres naturais são feitos pelas próprias pessoas", disse o vereador, reforçando que é importante consciencializar os cidadãos para os riscos que existem e ensinar como devem atuar.

Além de saber como agir face a um terramoto, Carlos Manuel Castro frisou que é importante "trabalhar noutras áreas, que são cada vez mais prementes, como a questão das alterações climáticas", assim como as inundações.

Para o presidente do Hyogo Research Institute, Makoto Iokibe, o terramoto de 1755, em Lisboa, "foi realmente um grande desastre natural, não só pela sua dimensão de catástrofe natural, mas também porque aconteceu na capital", afirmando que "é impressionante a gestão de crise que o Marquês de Pombal fez", dando uma resposta imediata de reconstrução da cidade.

"Infelizmente, [no Japão] temos muitos mais desastres naturais do que em Portugal", afirmou, referindo, há 20 anos, houve um terramoto em Kobe em que morreram seis mil pessoas e, há quatro anos, aconteceu o grande terramoto do leste do Japão, que provocou a morte de 20 mil pessoas, e que foi seguido de um 'tsunami' e de uma catástrofe nuclear.

O Japão tem "grande experiência em termos de proteção civil e gestão de desastres naturais", considerou Makoto Iokibe, acrescentando que também fazem muita investigação sobre estes temas.

Segundo o responsável do instituto de Hyogo, em situações de catástrofes as pessoas têm que saber organizarem-se em comunidade e haver ajuda mútua, frisando que "é extremamente importante no salvamento".

Lusa

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