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Exposição de fotografia em Lisboa revela transformação de vítimas de violência

Uma exposição com fotografias captadas por José Sarmento Matos, que é inaugurada na quinta-feira, em Lisboa, procura desfazer estereótipos sobre as vítimas de violência e partilhar histórias de coragem de quem conquistou uma nova vida.

LUSA

"São pessoas que sofreram muito e cujos traumas nunca vão desaparecer, mas conseguiram, com coragem, e ajuda de outros, libertar-se da violência e ultrapassar situações dramáticas", disse à agência Lusa o fotojornalista José Sarmento Matos.

Intitulada "O Virar da Página", a exposição, que é inaugurada na quinta-feira no Espaço Novo Banco, em Lisboa, resulta de um projeto fotográfico produzido em Portugal sobre a transformação de pessoas que sofreram crimes violentos, feito em parceria com a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

A ideia do projeto partiu de José Sarmento Matos, fotojornalista que já tinha colaborado com a APAV, e propôs fazer entrevistas às vítimas e fotografá-las na intimidade, depois de libertadas de uma realidade "que não vão esquecer nunca".

Violência doméstica, perseguição, abuso, tráfico humano, vítimas e familiares aceitaram falar do seu caso.

Partindo de contactos feitos pela APAV e com indicações de psicólogos para lidar com estes casos delicados, o fotógrafo percorreu todo o país e realizou 35 entrevistas, fotografando 30 das vítimas que aceitaram participar.

"Interessei-me por esta realidade e quis saber mais. Estava interessado em saber como estas pessoas tinham mudado de vida. Fui encontrar muitos casos de pessoas que viviam isoladas e que aceitaram uma situação durante muitos anos, pensando que o seu caso era único", relatou à Lusa.

Do projeto - que decorreu de setembro de 2014 a abril de 2015 - nasceu uma exposição com 20 fotografias e um vídeo, em que as vítimas falam na primeira pessoa, e que irá assinalar os 25 anos de vida da APAV.

"Estas pessoas tiveram a coragem de lutar contra a sua própria vergonha, medo e vulnerabilidade, pediram ajuda e aceitaram expor as suas histórias pessoais", com o objetivo de alertar a sociedade para o fenómeno da violência e encorajar outras vítimas a reagirem à situação e a procurarem apoio.

O fotógrafo de 26 anos, que divide a atividade entre Lisboa e o Reino Unido, encontrou algumas pessoas que poderiam ter sido libertadas mais cedo da sua "prisão" de violência, caso tivessem tido informação sobre onde e como pedir ajuda.

"Muitas delas chegaram a comunicar as situações de violência e abuso à polícia, mas não foi suficiente", apontou, comentando que as autoridades em Portugal não conseguem evitar as mortes que são noticiadas semanalmente no país.

Em Portugal, "a polícia tem boa vontade e faz um grande esforço, mas há uma grande falta de recursos, a justiça é lenta e protege pouco". "No Reino Unido é totalmente diferente. A polícia possui departamentos próprios para lidar contra a violência doméstica e o tráfico de pessoas".

Nascido em Sintra, em 1988, José Sarmento Matos estudou jornalismo na Universidade Católica Portuguesa, e foi durante uma viagem à Austrália, em 2010, que descobriu a paixão pela fotografia documental.

Fez um estágio de fotojornalismo no jornal Público e um mestrado nessa área no London College of Comunication, no Reino Unido. Foi um dos fotógrafos vencedores do prémio "30 Under 30" patrocinado pela Magnum Photo.

Lusa

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