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Polícia marítimo atuou "no limite do risco pessoal" no salvamento na Figueira da Foz

O agente da Polícia Marítima (PM) que salvou dois tripulantes do arrastão naufragado na Figueira da Foz atuou "no limite do risco pessoal", numa ação "cheia de espírito de humanidade", lê-se no louvor atribuído pela Autoridade Marítima.

PAULO NOVAIS / Lusa

O louvor, assinado pelo Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) e Autoridade Marítima Nacional, almirante Luís Fragoso, a que a agência Lusa teve acesso, faz o relato pormenorizado da operação de salvamento protagonizada pelo agente Carlos Santos, a 6 de outubro, à entrada do porto da Figueira da Foz.

"Concretizou com sucesso o salvamento de dois náufragos que se encontravam dentro de uma balsa salva-vidas, num contexto particularmente adverso de condições de mar e já no arco noturno, utilizando uma mota de água atribuída ao comando local da Polícia Marítima", sustenta.

Frisa ainda que o polícia marítimo, que presta serviço no comando de Aveiro, estava de licença na sua residência, na povoação de Costa de Lavos, a alguns quilómetros a sul do local do naufrágio do arrastão Olívia Ribau, e que, ao tomar conhecimento deste pelo comando da PM da Figueira da Foz, "disponibilizou-se de imediato para ajudar", tendo-se deslocado "até à extremidade do molhe exterior Sul para localizar a embarcação, avaliar a situação e verificar o estado do mar".

Adianta que Carlos Santos teve "consciência da gravidade da situação, com a existência de uma balsa salva-vidas na água, entre molhes, e com o arrastão já afundado junto à extremidade do molhe sul" e "arrogou-se de que se reuniam condições mínimas para resgatar eventuais náufragos".

Nesse sentido, escreve o almirante Luís Fragoso, no louvor que sustenta o despacho de concessão da medalha de coragem, abnegação e humanidade, grau ouro, hoje concedida a Carlos Santos, o agente da PM pediu para ser transportado para a marina da Figueira da Foz, na margem oposta àquela em que se encontrava, local de estacionamento da moto de água da Polícia Marítima, "a fim de a utilizar na ação de salvamento idealizada".

"Com sentido de urgência deslocou-se para a barra para proceder à busca e recolha dos eventuais náufragos que se poderiam encontrar no interior da balsa salva-vidas ou na água", refere o documento, que classifica como "extremamente difícil e arriscada" a operação de salvamento, o que levou a "várias tentativas de aproximação à balsa salva vidas".

O relato da operação assinala ainda que Carlos Santos sentiu "dificuldades" no avistamento da balsa "face à forte e alterosa ondulação no local do acidente", agravadas pela reduzida visibilidade," por ser já de noite", cerca de uma hora após o naufrágio que ocorreu pelas 19:10.

"Repetidas vezes foi forçado a regressar ao abrigo de entre os molhes da barra face à violência do mar, referindo que naquelas condições não havia qualquer segurança para a operação com embarcações", assinala o almirante Luís Fragoso, alegação que a Marinha repetiu, várias vezes, no dias após o naufrágio, face às críticas sobre a operação de salvamento que levaram, inclusivamente, à abertura do um inquérito por parte do Ministério Público.

"De forma obstinada e abnegada, a atuar no limite do risco pessoal, o Agente PM Silva Santos conseguiu alcançar a balsa salva vidas e recolher dois tripulantes, ainda com vida, tendo-os encaminhado na mota de água para terra, sãos e salvos", considera, concluindo ser de "inteira justiça" o louvor público a Carlos Santos "pela ação corajosa, abnegada e cheia de espírito de humanidade, como realizou o salvamento dos náufragos da embarcação Olívia Ribau".

Hoje, questionado pelos jornalistas sobre as conclusões do inquérito interno da Autoridade Marítima sobre a operação de salvamento, o Chefe de Estado-Maior da Armada disse que este "confirma genericamente o que foi na altura falado", mas recusou mais considerações, dado estar a decorrer uma averiguação a cargo do Departamento de Investigação e Ação Penal de Coimbra.

Lusa

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