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Reformados idosos fecham-se mais em casa e veem mais televisão

Os reformados idosos de hoje fecham-se mais em casa, veem mais televisão e as diferenças de comportamento e ocupação de tempos livres são cada vez mais semelhantes entre quem vive na cidade ou no campo, revela um estudo.

Reuters/Arquivo

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© Alexandre Meneghini / Reuters

Realizado pela socióloga Maria João Valente Rosa, a pedido da Fundação Inatel, o estudo "Os reformados e os tempos livres" tem por base dois inquéritos realizados à população reformada (um no final de 2014 e outro em 1998) sobre atividades de lazer.

Segundo a socióloga, o inquérito, representativo da população idosa reformada do Continente, visou conhecer as atividades de lazer dos reformados e perceber os sinais de mudança dos seus comportamentos em 16 anos.

Em declarações à agência Lusa, Maria João Valente Rosa destacou algumas conclusões do estudo sobre os idosos de hoje: "Fecham-se mais em casa do que no passado", as atividades de lazer relacionais são menos diversificadas e a televisão ganhou um "protagonismo especial".

Em 2014, apenas 10% declararam ocupar os tempos livre em atividades de lazer fora de casa, contra 17% em 1998.

Por outro lado, aumentou de 53% em 1998 para 64% em 2014 a percentagem de pessoas que declararam passar o tempo de lazer exclusivamente em casa, refere o estudo, publicado em livro, que é lançado na quarta-feira em Lisboa.

"À semelhança do que já acontecia em 1998, as mulheres continuam claramente a dominar esse privilégio do espaço doméstico", adianta.

Contudo, excetuando as atividades religiosas em que as mulheres continuam muito mais participantes, as diferenças entre sexos tendem a esbater-se em relação ao passado

O estudo aponta que a televisão é a atividade de lazer dominante (90%), com os reformados a dedicarem-lhe em média 21 horas por semana em 2014, contra 16 em 1998.

Há atividades que diminuíram de "forma significativa", como frequentar jardins públicos, sociedades recreativas, ir ao café, viajar, ver desporto ao vivo, ir a mercados ou centros comerciais, jogar às cartas, ouvir rádio, ir a bailes ou visitar museus e exposições.

Entre as atividades que aumentaram, embora pouco, encontram-se ler jornais ou revistas e ler livros, o que pode ligar-se ao aumento da escolaridade dos idosos.

O estudo aponta, por outro lado, que "viver em meio urbano ou rural faz cada vez menos diferença em relação aos comportamentos e às opções de tempos de livres".

"O que marca cada vez mais a diferença é a posição socioeconómica, em especial a instrução das pessoas. É aqui que as diferenças se podem jogar em termos de opções", disse Maria João Valente Rosa.

Para a socióloga, "as conclusões são surpreendentes", abrem pistas em relação ao futuro e apontam que a "era de reformados tecnológicos, audiovisuais e curiosos pelo saber está em curso".

"A casa abriu as portas em relação ao mundo e aos outros e o isolamento e a solidão são cada vez menos sinónimos. E por isso é necessário lidar com estes conceitos de forma diferente com que lidávamos nos anos passados", sublinhou.

Hoje os idosos estão mais próximos das novas tecnologias: em 2002, apenas 3% utilizavam o computador, hoje são 23%.

"As pessoas podem estar isoladas, mas não estar sós". Através da televisão, da internet ou do telemóvel pode estar em contacto com os outros e "chegar a mundos que outrora não conseguiam chegar".

"O que importa e que vai fazendo cada vez mais a diferença é a questão do acesso à informação e a questão do conhecimento. São estes dois pilares que vão estruturar as grandes opções no futuro", defendeu a socióloga.

Para o presidente da Fundação Inatel, Fernando Ribeiro Mendes, o estudo mostra que existe "um défice de ofertas de lazer mais ativas e de convívio por parte de todas as entidades, setor público e setor privado, para combater a solidão e a exclusão" de alguns idosos.

Lusa

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