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Passos Coelho declara-se candidato a primeiro-ministro

Pedro Passos Coelho assumiu-se hoje como candidato a primeiro-ministro, em entrevista publicada na edição de hoje do jornal Público.

MANUEL DE ALMEIDA

"Vejo-me nos próximos dois anos como líder do maior partido da oposição e, nessa medida, como candidato a primeiro-ministro", afirmou o ex-chefe do Governo, na entrevista realizada pelas jornalistas Áurea Sampaio e São José Almeida.

Passos Coelho apontou também o que disse serem os "dois grandes problemas" do país. Um, "consolidar o caminho de desendividamento e de recuperação económica"; outro, "o combate às desigualdades sociais".

Sobre este último, o ex-primeiro-ministro justificou: "Somos um país profundamente desigual e as coisas não melhoraram com a situação difícil que vivemos nos últimos anos".

A propósito das eleições presidenciais, o líder do PSD garantiu que não vai ter um envolvimento "muito intenso" na campanha do candidato Marcelo Rebelo de Sousa, para não lhe dar "um caráter partidário".

Por outro lado, Passos Coelho acusou o PS de estar, "de facto, muito próximo do PCP e do BE", devido à sua nova geração de dirigentes.

"O PS hoje está, de facto, muito próximo do PCP e do BE porque pensa que o papel do Estado, o papel da economia, o papel da sociedade civil devem ter uma configuração diferente", disse.

O ex-primeiro-ministro do Governo de coligação PSD/CDS classificou ainda as medidas anunciadas recentemente pelo executivo socialista para sair da situação de défice excessivo como um elogio: "As medidas que foram anunciadas valem 0,027% do PIB (Produto Interno Bruto) -- 46 milhões (de euros) é, portanto o que nos separa de ter um défice excessivo. Isso parece-me o maior elogio à política que fizemos".

Passos Coelho considerou que, se se conseguir este ano ficar abaixo dos 3%, a meta de um défice de 2,8% em 2016 definida pelo novo Governo "é na prática não fazer nada" e defendeu que "Portugal tem de ter um objetivo de redução do défice muito mais ambicioso".

Sobre o sentido de voto do seu partido em relação ao Orçamento do Estado para 2016, o líder do PSD disse que aguarda a apresentação do documento.

Passos Coelho falou ainda do "relacionamento francamente bom" com o CDS-PP, mas, quando questionado sobre a possibilidade de uma fusão entre os dois partidos, rejeitou a ideia.

"São partidos em que cada um tem o seu espaço próprio e por essa razão é que pode haver relevância em que constituam coligações e até possam fazer uma frente eleitoral em circunstâncias particulares, mas creio que ninguém no PSD ou no CDS está interessado numa fusão dos partidos", disse.

Lusa

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