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Presidente da Ongoing nega ter pedido informações privilegiadas a Silva Carvalho

O presidente da Ongoing disse hoje que "nunca pediu qualquer informação" ao ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) Jorge Silva Carvalho sobre cidadãos russos ligados ao negócio do porto de Astakos (Grécia).

Nuno Vasconcellos falava como arguido no julgamento do caso das secretas em que a acusação sustenta que, em finais de 2010, o presidente da Ongoing decidiu contratar Jorge Silva Carvalho para os quadros da empresa, para que este último obtivesse informação privilegiada das secretas para aquele grupo empresarial.

"Nunca pedi nenhuma informação a Jorge Silva Carvalho ou a qualquer outra pessoa de uma entidade estatal", disse o presidente da Ongoing, respondendo à juíza presidente do coletivo, Rosa Brandão.

Nuno Vasconcellos revelou ter conhecido Silva Carvalho na Maçonaria há vários anos, depositar nele "grande confiança" e ter aceitado o seu pedido para o contratar porque o então diretor do SIED "andava amargurado" com o que se estava a passar nas secretas.

Justificou ainda a contratação de Silva Carvalho pelas suas qualidades de gestor, observando que este tinha concretizado com sucesso a fusão de serviços nas secretas.

"Nunca vi o Silva Carvalho como um espião, mas como um gestor", frisou o presidente da Ongoing, que está acusado de corrupção ativa para ato ilícito.

Apesar de reconhecer que foi ele que "abriu a porta" para que Silva Carvalho trabalhasse na Ongoing, Nuno Vasconcellos disse ter sido Rafael Mora, vice-presidente executivo da empresa, que tratou das questões salariais e outros aspetos da contratação.

O arguido salientou que deixou bem claro a Silva Carvalho que, ao ir para a Ongoing, este tinha que se "desligar" completamente do SIED, prometer não voltar às secretas e não usar a Ongoing como "trampolim" para a vida política. Ou seja, teria que ser um "casamento" para durar com a Ongoing, explicou.

Quanto ao negócio para a aquisição do porto de Astakos, Nuno Vasconcellos disse que rapidamente se desinteressou do negócio, não só porque o mesmo implicava um investimento de 300 milhões de euros, mas porque a transação estava distante do "foco" de negócios da Ongoing, mais centrados nos países de língua portuguesa, como, por exemplo, Brasil e Angola.

Revelou que o negócio da aquisição do porto de Astakos foi trazido ao seu conhecimento pelo professor Vasco Rato (educado nos EUA e que trabalhava na Ongoing) e pelo empresário Fernando Paulo Santos, que tinha negócios na África do Sul e Angola e algumas ligações a empresas participadas pela Ongoing.

Admitiu ter sido na companhia de Vasco Rato e Paulo Santos que almoçou em Lisboa com dois ex-ministros russos ligados ao porto de Astakos, mas garantiu que o fez mais interessado em descobrir outros negócios vantajosos para a Ongoing.

Insistiu que "não havia nenhum interesse da Ongoing" na aquisição do porto de Astakos e que desconhecia em absoluto que Silva Carvalho tivesse fornecido a Paulo Santos informações sobre os cidadãos russos.

Nuno Vasconcellos admitiu que a atual situação financeira da Ongoing em Portugal é complicada, precisando que a empresa tem perto de 400 empregados, é um grande exportador de tecnologias de informação para o Brasil e tem uma "dívida enormíssima".

Justificou que nada fazia prever que os investimentos no Grupo Espírito Santo e na PT tivessem sido tão prejudiciais para a Ongoing.

Lusa

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