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Morte de Almeida Santos provocou um "grande vazio", diz Sócrates

O antigo primeiro-ministro José Sócrates disse hoje que a morte de Almeida Santos provocou um "grande vazio e uma grande tristeza" e destacou o seu papel no pós 25 de abril, considerando-o o "legislador da liberdade".

Francisco Seco/ AP (Arquivo)

"Todos aqueles que conheceram o Almeida Santos estão certamente mergulhados num grande vazio e numa grande tristeza, porque a sua morte causa-nos estes sentimentos, esta vontade de nos recolhermos em silêncio, porque temos consciência de que qualquer coisa de raro se perdeu e que já não pode ser dita: a vida do Almeida Santos", lamentou José Sócrates, em declarações à agência Lusa.

Para José Sócrates, Almeida Santos "foi talvez o legislador da liberdade".

"Foi o político que mais influenciou a ordem jurídica constitucional da liberdade e da democracia no pós-revolução do 25 de abril. Foi também um dos grandes socialistas da geração da fundação democrática e da fundação do Partido Socialista e da implementação do Partido Socialista. Mário Soares, Salgado Zenha e Almeida Santos foram, digamos, os três grandes socialistas dessa geração e dessa época", sublinhou José Sócrates.

O presidente honorário do PS, António Almeida Santos, faleceu na noite de segunda-feira em sua casa, em Oeiras, aos 89 anos, depois de se ter sentido mal após o jantar.

Segundo José Sócrates, a "grandeza da vida" de António Almeida Santos fez-se de ação.

"Não apenas da contemplação, da escrita, da palavra, mas uma vida de ação, no que isso tem de confronto com a incerteza histórica, antes do 25 de abril, do risco de fazer face à contingência. A verdade é que para a geração do Almeida Santos, a entrada na política fazia parte da condição humana. E se bem conhecia Almeida Santos, o amor à política vinha-lhe do fundo de si: isto é, do amor ao seu país, do amor à sua história, do amor à República", frisou o antigo governante.

José Sócrates destacou também as qualidades humanas do presidente honorário do Partido Socialista.

"Era um homem de uma grande generosidade, um homem muito afável, um homem carinhoso, um homem que levava a amizade a sério. Todos aqueles que o conhecemos no partido socialista podem testemunhar a mesma coisa: que ele foi um grande companheiro, eu sou testemunha disso, e um grande camarada", salientou.

Sócrates considerou ainda que Almeida Santos "significou muito" para todos aqueles que estiveram na vida e na ação política durante as últimas décadas e que será recordado "como uma das grandes figuras do socialismo democrático", cuja vida será olhada "como um exemplo, uma referência e uma inspiração para muitos" desses políticos.

Para o antigo primeiro-ministro, Almeida Santos era talvez um dos políticos da sua geração que melhor falava e escrevia, acrescentando ter consigo todos os seus livros e acompanhado o que o presidente honorário do PS foi escrevendo ao longo dos anos.

"Tenho todos os seus livros e pude seguir todas as suas publicações, e não é apenas a questão de um pensamento sempre muito interessado, muito atual, com muita vontade de intervenção de mudar, de evoluir, de propor, de indicar um caminho, mas também a forma de o fazer, sempre com uma grande elegância", concluiu José Sócrates.

O corpo de António Almeida Santos vai estar hoje, a partir das 17:00, em câmara ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, e será cremado na quarta-feira no cemitério do Alto de São João, também em Lisboa, pelas 14:00.