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Europa de leste pode dificultar candidatura de Guterres à ONU, diz Ramos Horta

O ex-Presidente de Timor-Leste José Ramos Horta diz que a candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU pode ser dificultada por a Rússia e países vizinhos quererem um europeu do leste no cargo.

António Guterres

António Guterres

© Denis Balibouse / Reuters

"Um senão que se aplica a todos os candidatos ou potenciais candidatos é que os países da Europa do leste estão a insistir, batalhar para dizer que esta é a vez da Europa de leste", afirmou à Lusa o ex-Presidente e ex-primeiro-ministro timorense.

"O meu instinto e conhecimento diz que a Rússia vai fazer finca-pé e dada a relação da Rússia com a União Europeia e países da NATO, muito dificilmente endossará algum candidato visto como demasiado próximo da NATO ou da UE", disse Ramos Horta, em Díli.

Segundo Ramos Horta, a posição russa dificulta ainda outras eventuais candidaturas, como a do ex-primeiro-ministro australiano Kevin Rudd, que ainda não a formalizou, mas que para o ex-Presidente de Timor-Leste seria "um candidato a secretário-geral brilhante".

Ramos-Horta, Prémio Nobel da Paz e ele próprio apontado, no passado, como possível secretário-geral da Organização das Nações Unidas ONU), disse que o ex-primeiro-ministro de Portugal Antonio Guterres é uma pessoa "muito querida de todos, pela sua maneira de ser, pela sua integridade, pela sua modéstia e acessibilidade".

Uma das possibilidades para Guterres poderá surgir em caso de impasse entre a Rússia e os Estados Unidos e Reino Unido, acabando o ex-alto comissário da ONU para os Refugiados a "emergir como uma figura consensual", acrescentou.

Ramos Horta recordou que o "calendário é apertado" e que a decisão terá de ser tomada em junho ou julho, altura em que os membros permanentes do Conselho de Segurança já terão decidido.

Desta vez, recordou, a Assembleia Geral terá uma "palavra a dizer" no processo e irá além de simplesmente carimbar ou endossar a escolha do Conselho de Segurança.

Tudo indica, explicou, que o Conselho de Segurança aceitará uma exigência da Assembleia Geral (AG) de apresentar dois candidatos a serem votados por todos os membros das Nações Unidas.

Em dúvida está outra alteração proposta pela AG: a de que esses candidatos sejam entrevistados por todos em direto.

Questionado sobre o eventual apoio de Timor-Leste a António Guterres, José Ramos-Horta disse que o normal é que a candidatura o solicite, algo que ainda não ocorreu.

"Por outro lado, o apoio de Timor-Lete seria apenas moral e académico. Não estamos no Conselho de Segurança. Angola sim está no Conselho de Segurança e tem uma palavra importante a dizer. É um voto e Angola tem algum peso no Conselho de Segurança", disse.

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