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Sessão de "strip" na sede da Junta abre polémica em freguesia de Barcelos

O ex-presidente da Junta de Freguesia de Alvito S. Pedro, em Barcelos, insurgiu-se hoje contra a realização de uma sessão de striptease no salão daquela autarquia, sublinhando que foi uma iniciativa "absurda e indigna".

O espetáculo foi promovido pelo Grupo Recreativo e Cultural de Alvito S. Pedro para animar o Carnaval na freguesia.

O espetáculo foi promovido pelo Grupo Recreativo e Cultural de Alvito S. Pedro para animar o Carnaval na freguesia.

© Jason Reed / Reuters

"Não tenho nada contra o striptease em si, mas tenho tudo contra o facto de terem escolhido o edifício da junta para a sua realização", disse à Lusa José Silva, que foi presidente daquela autarquia durante 28 anos, até às últimas autárquicas, eleito pelo PS.

O espetáculo foi promovido pelo Grupo Recreativo e Cultural de Alvito S. Pedro, na noite de sexta-feira, para animar o Carnaval na freguesia.

Aquele grupo tem, desde 1998, um contrato de comodato com a junta, válido por 50 anos, para ali instalar a sua sede.

"Uma coisa é a sede, que é apenas utilizada pelo grupo, outra coisa é o salão, que pode ser utilizado por todos, desde grupos, escolas, associações de pais e junta de freguesia", sublinhou o ex-autarca.

José Silva garantiu que vai levar o assunto à próxima Assembleia de Freguesia, para tentar evitar que se voltem a repetir "espetáculos do género" num edifício público.

"Há muita gente na freguesia indignada e com toda a razão, foi uma ideia absurda e indigna", sublinhou.

Contactada pela Lusa, a atual presidente da União de Freguesias de Alvito (S. Pedro e S. Martinho) e Couto disse que o grupo tem, ao abrigo do referido contrato de comodato, "toda a liberdade" para lá promover as iniciativas "que bem entender".

"A junta não pode, obviamente, interferir no plano de atividades do grupo", acrescentou Paula Belchior (PSD/CDS), para quem a polémica levantada à volta do striptease "não passa de uma tentativa de aproveitamento político".

No entanto, Paula Belchior acrescentou que o seu executivo "está aberto" para discutir um eventual "reajustamento" do texto do contrato de comodato, se alguém apresentar uma proposta nesse sentido.

"O contrato foi assinado pelo meu antecessor, o mesmo que agora vem levantar a polémica", assinalou, vincando que a contestação ao show de striptease "se restringe" a não mais de meia dúzia de pessoas.

A Lusa contactou igualmente o presidente do Grupo Recreativo e Cultural de Alvito S. Pedro, Zacarias Leiras, que também desvalorizou as críticas e as atribuiu a motivações políticas.

Leiras lembrou que ele próprio já foi candidato à Junta de Alvito S. Pedro contra José Silva e admitiu que isso "possa ter deixado algumas marcas", mas vincou que a contestação ao "strip" não passa "de uma guerra de um homem só".

"O strip foi masculino e feminino, tivemos lá uma 70 a 80 pessoas, incluindo casais, e toda a gente se mostrou agradada com o espetáculo", assegurou.

Admitiu ainda que as críticas possam ter a ver com "algum preconceito" em relação a iniciativas "um bocadinho mais arrojadas ou fora do comum para um determinado meio".

Lusa

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