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Medicina Legal recebeu 699 casos de violência entre namorados em 2015

As histórias de violência no namoro que chegaram ao Instituto de Medicina Legal aumentaram 44% no ano passado, atingindo os 699 casos, segundo um estudo nacional que revela que há vítimas de apenas 14 anos.

(Arquivo)

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© Yannis Behrakis / Reuters

Estes são alguns dos números do estudo realizado por César Santos, representante da Comissão Nacional de Prevenção de Violência Doméstica do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF).

No ano passado, os técnicos do INMLCF analisaram 23.752 casos de violência, menos 6,6% do que no ano anterior. No entanto, dentro deste universo, a violência entre namorados ou ex-namorados registou um aumento de 44,4%, ao passar de 484 para 699 pessoas que, depois de uma queixa às autoridades, foram submetidas a perícias médicas para comprovar as agressões.

Por detrás de cada um destes números está uma história dramática de alguém que ganhou coragem, quebrou o silêncio e admitiu ser vítima do namorado ou ex-namorado. Na maior parte dos casos, os agressores são homens e as vítimas são mulheres (87%).

"É preciso algum grau de consciência e de decisão interior para uma vítima de uma relação que deveria ser de amor, paixão e romantismo tomar uma decisão de ir a uma esquadra apresentar queixa contra o namorado ou ex-namorado", sublinhou o vice-presidente do INMLCF, João Pinheiro, em declarações à Lusa.

Segundo o estudo, há mais casos envolvendo ex-relacionamentos (52,9%) do que namoros atuais (47,1%).

Mas nem todas as vítimas fazem queixa e, por isso, os números agora divulgados "não representam o fenómeno da violência no namoro na sua globalidade, mas sim o que chega até ao Instituto de Medicina Legal", contou à Lusa.

O estudo mostra ainda que não existe um limite de idade para se namorar mas também revela o lado negro do namoro: "Pode-se namorar uma vida toda e bater ao longo de toda a vida", lamentou o vice-presidente da instituição.

Algumas das pessoas vistas pelos médicos do INML, acabam por regressar. Algumas, muito poucas, já sem vida. "É uma minoria mas acontece e são casos que chocam muito normalmente pela idade muito jovem das vítimas", disse João Pinheiro, explicando que neste estudo não foi feita essa análise.

Depois do exame pericial, os especialistas do Instituto de Medicina Legal perdem o rasto das vítimas, que seguem com o processo judicial.

O estudo analisou as vítimas por grupos etários e mostrou que quase metade das pessoas que fez exames periciais tem até 25 anos, sendo que no ano passado os médicos legistas receberam 42 jovens com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos.

"Isto é um mau indício, um mau percurso para uma vida futura que se pretendia de amor e que começa muito cedo com problemas de violência", alertou o professor, lembrando os estudos que indicam que este é normalmente um comportamento repetitivo de quem já viveu em ambientes de violência familiar.

No ano passado, 276 pessoas entre 18 e 25 anos fizeram queixa contra o namorado ou ex-namorado, ou seja, quatro em cada dez vítimas que recorreu ao INML estava naquela faixa etária.

Os técnicos do INML receberam ainda 146 pessoas entre os 31 e os 39 anos e outras 109 com idades compreendidas entre os 26 e os 30 anos. Com mais de 50 anos, registaram-se 30 casos de relacionamentos amorosos marcados por violência.

Dar murros e bofetadas continuam a ser as agressões mais comuns entre os namorados, seguindo-se os apertões, empurrões e pontapés.

Puxões de cabelos, quedas, esganaduras e unhadas também são casos de violência confirmados pelos médicos do INML. Com menos expressão, surgem 12 casos em que as pessoas foram ameaçadas com facas.

Os números avançados à Agência Lusa serão divulgados no seminário "E se a escola do namoro formasse profissionais em violência?", que se realiza na próxima semana no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

Lusa

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