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Arguidos em silêncio no início de julgamento de homicídio nos Açores

Os três arguidos que começaram hoje a ser julgados num processo de homicídio, ocorrido na noite de 3 de março de 2015, na periferia da cidade de Ponta Delgada, nos Açores, optaram pelo silêncio.

Tribunal Judicial de Ponta Delgada, nos Açores.

Tribunal Judicial de Ponta Delgada, nos Açores.

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Na origem do crime, na zona dos Valados, terá estado uma transação, entre o principal arguido deste processo, acusado de homicídio, roubo e tráfico de droga, e a vítima, de 125 placas de canábis, com um peso superior a 12 quilos, que seriam vendidas por 15 mil euros.

Este caso envolve ainda a companheira do principal arguido e um homem que supostamente auxiliava a vítima no tráfico de droga, ambos acusados do crime de tráfico de estupefacientes.

Face ao silêncio dos arguidos, o juiz que preside ao tribunal coletivo leu as declarações da companheira do presumível homicida, em sede de inquérito, nas quais esta disse ter visto a droga, mas garantiu que ordenou ao namorado que se desfizesse do produto, acrescentando que "nunca teve conhecimento que este traficava, embora soubesse que ele fumava uns charros".

O Ministério Público (MP) sustenta que o homem terá sido atingido por cinco disparos cerca das 23:40.

Ouvidos em tribunal, dois residentes na zona onde se deu o homicídio garantiram que ouviram "três disparos consecutivos" e viram um jipe estacionado na zona, o que consideraram anormal para a hora em causa.

Já a companheira da vítima mortal assegurou que "não estava a par do que ela fazia" e acrescentou que só após a sua morte "veio a saber das suas atividades ilícitas".

A mulher disse ainda que ela e a filha do casal ficaram muito afetadas com a morte e que ambas estão a receber acompanhamento psicológico.

No dia do homicídio, a irmã e o cunhado da vítima garantiram que estavam a jantar quando esta recebeu uma chamada e saiu de "forma apressada" a meio da refeição.

A irmã adiantou que "sabia muito pouco da vida" da vítima, mas "suspeitava" que traficasse droga devido ao seu "comportamento", enquanto o cunhado informou o tribunal que sabia que o homem "vendia droga, por ele falar nisso", mas "nunca presenciou nada".

O MP sustenta que "a transação foi desenhada diretamente" entre o principal arguido e a vítima, um homem de 33 anos.

Segundo o MP, o alegado autor dos disparos terá dito à vítima que "o melhor seria encontrarem-se mais tarde, os dois sozinhos, num lugar a combinar, para fazerem a transação", o que foi aceite.

"Com o objetivo de ficar com os 15.000 euros e com as 125 placas de canábis, cerca das 23:40, puxou do revólver (...) e efetuou cinco disparos", descreve o MP, considerando que o arguido agiu com "o propósito de causar a morte, o que conseguiu".

Após o crime, o arguido, que responde também pelos crimes de roubo qualificado e tráfico de droga, terá escondido numa garagem, em Ponta Delgada, a viatura que usou, onde deixou a arma envolvida no gorro utilizado no encontro com a vítima, assim como a quantia de 15.000 euros e o saco com as placas de canábis.

A Polícia Judiciária apreendeu ainda 18.490 euros no interior de um cofre portátil, quantia supostamente proveniente do tráfico de droga.

Lusa

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