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Mais de dois alcoólicos por semana pedem ajuda à SOS Hepatites

Mais de dois alcoólicos por semana estão a pedir ajuda à SOS Hepatites para deixar de beber e para ter apoio médico, um número crescente que leva a associação a pedir ajuda ao Serviço de intervenção nas dependências.

Em 10 anos, houve um total de cerca de 50 alcoólicos a pedir ajuda à SOS Hepatites, mas só nos últimos seis meses já houve mais pedidos de ajuda do que nesses dez anos. (Arquivo)

Em 10 anos, houve um total de cerca de 50 alcoólicos a pedir ajuda à SOS Hepatites, mas só nos últimos seis meses já houve mais pedidos de ajuda do que nesses dez anos. (Arquivo)

© Thomas Peter / Reuters

A presidente da SOS Hepatites, Emília Rodrigues, revelou à Lusa que a associação se tem confrontado com um enorme número de doentes alcoólicos a pedir apoio e para os quais precisa de ajuda para dar resposta mais rápida e efetiva.

Por isso, reúne-se hoje com o presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), a quem vai "propor uma parceria", já que este organismo "tem um bom trabalho", com o qual pode ajudar a SOS Hepatites, "através dos seus conhecimentos", para que possa ser dada "uma resposta mais célere, mais forte e sem errar"

Segundo Emília Rodrigues, em 10 anos, houve um total de cerca de 50 alcoólicos a pedir ajuda à SOS Hepatites, mas só nos últimos seis meses já houve mais pedidos de ajuda do que nesses dez anos.

"Estão interessados em deixar de beber e em ter apoio especializado de médicos. Estamos dispostos a ajudar, através de consultas", afirmou.

Trata-se de doentes com hepatite alcoólica, alguns cirróticos, que "querem saber o que podem fazer para não morrer".

Emília Rodrigues explica este aumento de pedidos de ajuda, não com um crescimento efetivo do número de alcoólicos, mas com a diminuição da vergonha e do preconceito associados a esta doença.

O relatório anual "A situação do país em matéria de álcool 2014", do SICAD, apresentado no início deste mês, revela que os pedidos de ajuda contra o alcoolismo estão a aumentar, sendo que doze pessoas por dia iniciaram tratamento e dez foram internadas por problemas relacionados com o uso de álcool em 2014.

Segundo o relatório, estiveram em tratamento no ambulatório da rede pública quase 11.881 utentes, dos quais 3.353 iniciaram tratamento pela primeira vez e 930 foram readmitidos.

Estes números revelam uma tendência de acréscimo, registando-se nos últimos três anos os valores mais elevados de novos utentes e de readmitidos.

Quanto a internamentos devido ao alcoolismo, deram entrada em Unidades de Alcoologia e Unidades de Desabituação 1.472 utentes e 2.256 em Comunidades Terapêuticas.

Pelo segundo ano consecutivo aumentou o número de internamentos por problemas relacionados álcool em unidades de alcoologia, enquanto nas comunidades terapêuticas a tendência de subida verifica-se já há vários anos.

Lusa

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