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Cavaco diz que direito a vida digna dos deficientes das Forças Armadas não pode ser esquecido

O Presidente da República considerou hoje que Portugal tem uma "dívida moral e material" para com os deficientes das Forças Armadas, sublinhando que nenhum Governo ou chefe de Estado deverá esquecer o seu direito a uma vida minimamente digna.

JO\303\203O RELVAS

"Estou certo que nenhum Governo, nenhum Presidente da República alguma vez esquecerá o que estes homens passaram e o direito que têm neste momento de ter uma vida minimamente digna", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas no final de uma visita à Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), em Lisboa.

Antes, num breve discurso, Cavaco Silva tinha já feito alusão à "dívida moral e material" que "todos temos" para com estes homens, defendendo que as acrescidas dificuldades que perturbam e atingem os deficientes militares e as suas famílias, associadas ao envelhecimento, não podem ser ignoradas.

"É essencial que da parte de todos os organismos e agentes com responsabilidades no apoio aos deficientes, não abrande o esforço e as prioridades sejam mantidas", preconizou, considerando que importa assegurar a possibilidade de concretizar o Plano de Ação para Apoio aos Deficientes Militares, há muito reclamado pela ADFA.

Na sua intervenção, o Presidente da República falou ainda da "admiração, afeto e gratidão" que são devidas aos deficientes militares, insistindo que "não pode o país ignorar quem se fragilizou no cumprimento do dever e na defesa da pátria, quem viu frustradas as suas legítimas expectativas de vida pelo simples facto de um dia ter lutado por Portugal".

"No âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, fiz questão de promover a devida homenagem aos nossos antigos combatentes, àqueles que por Portugal se bateram com total desprendimento", recordou o chefe de Estado, que é também o Comandante Supremo das Forças Armadas.

Aos jornalistas, à saída, Cavaco Silva lembrou igualmente que também ele foi "um soldado" e esteve na guerra colonial, considerando que, por isso, compreende "como poucos o que é a condição militar e o que pode acontecer àqueles que estão na guerra".

Recuando aos anos 60, Cavaco Silva lembrou o caso do "aspirante" que trabalhava ao seu lado e que acabou por ser enviado em missão para o norte de Moçambique: "perdeu uma perna, trabalhava ao meu lado", disse.

"Por isso, eu tenho uma gratidão como Presidente da República em relação a estes homens que se dispuseram a dar a sua vida na defesa da pátria", frisou.

Na visita à ADFA, o Presidente da República condecorou o presidente da direção nacional da associação, José Arruda, com as insígnias de Grande Oficial da Ordem do Infante D.Henrique.

Lusa

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