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Suspeito de esfaquear rapariga em bar diz não se lembrar de como a faca lhe foi parar às mãos

Um homem suspeito de ter esfaqueado uma rapariga durante uma rixa num bar em Ílhavo disse hoje, no tribunal de Aveiro, que não se lembra do que passou, nem sabe como é que a faca lhe foi parar às mãos.

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Na primeira sessão de julgamento, o arguido, que está acusado de um crime de homicídio qualificado na forma tentada, adiantou ao coletivo de juízes que não se recorda das circunstâncias em que esfaqueou a rapariga na face, mas admitiu ter sido o autor.

"Recordo-me que estava a ser agredido por cinco pessoas. Só via vultos. Nesse momento, agredi um vulto que estava no meio", disse o arguido, adiantando: "lembro-me desse momento, porque tive uma reação do tipo o que é que fui fazer".

O agressor, de 35 anos, garantiu ainda que não tinha consigo nenhuma faca, mas não soube explicar como é que esta surgiu.

"Já tentei fazer hipnose a ver se me lembrava de mais factos, mas não consegui", referiu, disponibilizando-se para fazer um teste do polígrafo, ao que a juíza-presidente respondeu que o sistema jurídico português não permite o uso da chamada "máquina da verdade".

A primeira sessão ficou ainda marcada pelas declarações da vítima, que deslocou-se de propósito de França, onde se encontra a trabalhar, a Portugal para ser ouvida pelo coletivo de juízes.

A rapariga, de 21 anos, disse que um desentendimento entre um amigo do arguido e algumas pessoas que estavam no seu grupo, levou-os a partirem para as agressões.

No auge da discussão, o arguido acabou por agredir a vítima com uma faca, atingindo-a ao nível da região ocular.

A jovem, que foi submetida a três operações, perdeu a visão no olho direito e disse que este episódio deixou "marcas muito profundas". "Tenho de me habituar a ver só com um olho, mas não é fácil", desabafou.

Os factos ocorreram na madrugada do dia 12 de junho de 2015, cerca da 02:00, quando o arguido e um amigo se envolveram em agressões com um grupo de pessoas que estava num bar situado na Gafanha da Nazaré, Ílhavo.

Sem que nada o fizesse prever, o arguido pegou numa faca que tinha consigo e com esta desferiu um golpe na direção da face da ofendida, atingindo-a na região ocular direita, refere o Ministério Público.

O autor do esfaqueamento foi retido por outros clientes do bar e foi entregue à GNR, que chegou ao local poucos minutos após a prática dos factos.

O detido, que apresentava ferimentos decorrentes dos confrontos que terão antecedido o esfaqueamento, foi transportado ao Hospital de Aveiro, onde foi sujeito a tratamento e, após ter tido alta hospitalar, recolheu às celas do Departamento da Polícia Judiciária.

Presente a primeiro interrogatório judicial, foi-lhe aplicada a medida de coação de prisão preventiva, que foi posteriormente substituída pela obrigação de permanência na habitação com sujeição a vigilância eletrónica.

Lusa

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