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Risco sísmico em Lisboa é maior na zona ribeirinha

A zona crítica de risco sísmico da cidade de Lisboa é "toda a zona ribeirinha", afirmou hoje o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil, defendendo que a capital está "mais bem" preparada para situações de catástrofes naturais.

Francisco Seco

"Estamos melhor agora do que estávamos há 10 anos, mas se calhar nunca ninguém está preparado" para uma situação de catástrofe, disse o responsável da Proteção Civil de Lisboa, Manuel João Ribeiro, referindo que "ainda há muito a fazer" para tornar a cidade mais resiliente e reduzir os danos em caso de sismo.

No âmbito de um encontro sobre o plano de emergência para o risco sísmico da cidade de Lisboa, o responsável alertou que "não são os terramotos que matam, são os edifícios", mostrando-se preocupado com o parque edificado envelhecido e o elevado número de edifícios total ou parcialmente devolutos.

Para Manuel João Ribeiro, o índice de envelhecimento da população lisboeta é também um fator de vulnerabilidade às ameaças e aos eventos ambientais e naturais inesperados, assim como a falta de informação sobre as medidas de autoproteção.

Em termos de risco sísmico, "a zona crítica é toda a zona ribeirinha", informou o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil de Lisboa, explicando que se deve às características da formação desta área e ao comportamento dos solos.

Outras zonas de preocupação são os vales da Avenida Almirante Reis, da Avenida da Liberdade e de Alcântara, por serem "zonas de aluvião, em que o comportamento dos solos não é ainda muito solidificado", adiantou o responsável, acrescentando que uma das zonas "melhores" é Monsanto.

De acordo com o simulador de danos sísmicos, se acontecesse hoje um terramoto como o de 01 de novembro de 1755, o número de edifícios afetados seriam entre 15.900 e 19.000 (26,07-31,08%), revelou o Manuel João Ribeiro, especificando que os edifícios danificados seriam entre 8.000 e 9.500 (14-16%), os edifícios com danos severos seriam entre 7.500 e 9.000 (12-15%) e os edifícios colapsados seriam entre 400 e 500 (0,07-0,08%).

Neste sentido, os estragos nos edifícios deixariam entre 80.000 e 120.000 pessoas desalojadas.

Em termos do comportamento do edificado e do número de desalojados "é indiferente" a hora em que acontece a catástrofe, mas "em termos de mortos e feridos já é diferente", devido à movimentação das pessoas na cidade de Lisboa, explicou.

Se o sismo acontecer às 15:00 provoca entre 4.000 e 5.300 mortos, mas se for às 03:00 o número de mortos será entre 2.000 e 3.000, segundo o simulador de danos sísmicos.

Questionado sobre qual a previsão de ocorrência de uma nova catástrofe em Lisboa, o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil disse que "não há previsão", argumentando que "cada dia é um dia a menos para o próximo terramoto".

"Pensamos muitas vezes apenas numa grande catástrofe como o terramoto de 1755, mas a probabilidade de acontecer é muito mais reduzida do que um sismo de menor magnitude, portanto de menor intensidade", frisou o responsável.

Manuel João Ribeiro considerou que "as catástrofes são um problema social", explicando que o plano de emergência para o risco sísmico da cidade de Lisboa tem-se focado em ações de sensibilização e de formação da população de como agir nestas situações.

Lusa

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