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Familiares das vítimas de Entre-os-Rios queixam-se de falta de apoio psicológico

Quinze anos depois da derrocada da ponte de Entre-os-Rios, que tirou a vida a 59 pessoas, a associação dos familiares das vítimas lamenta que o Estado tenha acabado com o apoio psicológico.

REUTERS

"Recordo que, apesar de todas as promessas, o psicólogo que existia no centro de saúde foi retirado [dois anos depois do acidente]", recordou hoje Augusto de Sousa, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios.

Ao princípio de noite, daquele dia chuvoso de 04 de março de 2001, o país soube, perturbado, que o tabuleiro da ponte centenária Hintze Ribeiro caíra, arrastando para as águas agitadas do rio Douro um autocarro, onde seguiam 53 passageiros, e três automóveis, com seis pessoas. Não houve sobreviventes.

Nos dias seguintes, as televisões mostraram, muitas vezes em direto, ao país e ao mundo, a dimensão da tragédia.

Em declarações à Lusa, a propósito da data que é lembrada esta sexta-feira, o dirigente lamentou que o Estado se tenha "demitido de uma responsabilidade que era sua". "

"O dever do Estado era manter um nível de saúde aos familiares. O Estado é que foi negligente", exclamou.

Por outro lado, anotou, há famílias que ainda não mexeram nas indemnizações que lhes foram atribuídas.

"A questão monetária foi ultrapassada. Há famílias que não mexeram no dinheiro que receberam das indemnizações. O Estado quis indemnizar rapidamente as famílias para, com isso, calar os familiares", afirmou.

Para a associação, os arguidos que foram julgados no processo que procurou apurar responsabilidades "não eram os que deveriam ter estado no banco dos réus".

Além disso, defendeu, "as responsabilidades políticas não foram devidamente assumidas no processo".

Em janeiro de 2003, junto à ponte, foi inaugurado o monumento de homenagem às vítimas, designado "Anjo de Portugal", onde estão inscritos os nomes dos que perderam a vida no acidente,

Trata-se de conjunto escultórico, com 20 metros de altura, formado por um pedestal de betão e a imagem de um anjo em bronze, com cerca de doze metros de altura.

Quinze anos depois, há familiares das vítimas, que eram na sua maioria de Castelo de Paiva, que ainda não conseguiram fazer o luto e refugiam-se, com saudade, no monumento que evoca a tragédia.

"Muitos não conseguiram fazer o luto e recorrem frequentemente ao anjo, como um local para chorar e confortar a dor pela perda desses familiares", lamentou Augusto de Sousa.

Para o dirigente ouvido hoje pela Lusa, "o 04 de março é uma data que, passados 15 anos, é evocada com dor e muita saudade pelos familiares das vítimas e comunidade".

"Há pessoas que mantêm determinados rituais que evidenciam que a dor permanece e que não se conseguiram libertar do ponto de vista psicológico dessa perda", comentou.

Augusto Sousa recorda que "muitos familiares fizeram uma terapia, estabelecendo contacto com outras famílias que perderam ente queridos no acidente".

Contudo, ressalvou, "outros não conseguiram, porque são menos comunicativos e têm mais dificuldades em explicitar aquilo que lhes vai na alma".

Na sexta-feira, a Associação dos Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios, em colaboração com a Câmara de Castelo de Paiva, assinala 15º aniversário do colapso da travessia.

Às 20h30, no tabuleiro da Ponte Hintze Ribeiro, junto ao "Anjo de Portugal", será prestada homenagem às vítimas, com o lançamento de flores ao rio Douro.

Lusa

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