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Historiador destaca relevância na descoberta do navio da armada de Vasco da Gama

O historiador Paulo Pinto classificou hoje como "achado arqueológico muito importante e relevante" a confirmação de que o navio português naufragado na região de Omã integrava a armada de Vasco da Gama.

1502 - Vasco da Gama parte de Lisboa para a segunda viagem ao Oriente, quatro anos após a primeira viagem.

1502 - Vasco da Gama parte de Lisboa para a segunda viagem ao Oriente, quatro anos após a primeira viagem.

Livro de Lisuarte de Abreu

O Ministério do Património e da Cultura de Omã confirmou hoje a descoberta de um navio português naufragado numa ilha remota de Omã em 1503, que fazia a carreira da Índia e que estava incluído na armada de Vasco da Gama.

Em declarações hoje à agência Lusa, o historiador e investigador do Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar (CHAM) da Universidade Nova de Lisboa explicou que este "navio era poderoso e o mais importante da armada".

"Se foram agora encontrados os seus restos, é um achado arqueológico muito importante e relevante até para a compreensão do que foram estes primeiros anos da presença portuguesa naquela região", disse.

O investigador esclareceu que o navio e o capitão estavam integrados na armada de Vasco da Gama quando chegaram à Índia, mas as circunstâncias que rodearam o naufrágio e os conduziram ao naufrágio não têm nada a ver com a viagem de Lisboa para a Índia.

"O que aconteceu foi o seguinte: a primeira armada para a índia foi a de Vasco da Gama, a segunda, a de Pedro Álvares Cabral, a terceira, a de João da Nóvoa e o Vicente Sodré foi na quarta armada" à qual pertence este navio, disse.

De acordo com o investigador, em 1502 partiu uma poderosa armada em direção à Índia, tendo Vasco da Gama regressado a Portugal mais tarde e Vicente Sodré ficado na região da atual Omã.

"É este capitão Vicente Sodré que fica incumbido de continuar a patrulhar a costa ocidental indiana e impor-se pela força. O importante desta armada e deste navio que naufragou é que foi a primeira armada que ficou na índia", esclareceu.

Segundo Paulo Pinto, Vicente Sodré efetuou uma série de ações de retaliação contra navios muçulmanos nesta região e a certa altura patrulhou aquela região de Omã.

"As fontes falam que o navio se perdeu junto às ilhas de Cúria Múria provavelmente em abril ou maio de 1503, o que bate certo com o local onde agora dizem ter encontrado o navio. Depois terá aparecido um tufão, um temporal e o navio afundou", disse, adiantando que terão sobrevivido apenas uma ou duas pessoas.

O investigador salientou também que a região em causa "não é assim tão grande para que o achado esteja incorreto".

"Tanto quanto sei, por esses anos, provavelmente este foi o único navio da armada portuguesa naufragado naquela região. As fontes portuguesas dizem claramente que foi perdido junto a essas ilhas", concluiu.

Em comunicado, o Ministério da Cultura e do Património de Omã salientou que o navio português, que estava incluído numa das armadas de Vasco da Gama com destino à Índia naufragou em 1503 durante uma tempestade ao largo da ilha Al Hallaniyah, na região Dhofar, de Omã.

O ministério informou que o local do naufrágio foi inicialmente descoberto pela empresa britânica Blue Water Recoveries Ltd. (BWR) em 1998, no 500.º aniversário da descoberta de Vasco da Gama do caminho marítimo para a Índia.

Contudo, o ministério só deu início ao levantamento arqueológico e à escavação em 2013, tendo sido desde então realizadas mais duas escavações em 2014 e 2015, com a recuperação de mais de 2.800 artefactos.

Lusa

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