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Jornalista chinês desaparecido após perguntar por carta que apela à demissão do Presidente

Familiares e amigos do jornalista chinês Jia Jia, que se encontra desaparecido desde terça-feira, receiam que tenha sido detido devido ao interesse por uma carta anónima que apela à demissão do Presidente chinês, Xi Jinping.

O Presidente chinês, Xi Jinping

O Presidente chinês, Xi Jinping

Ebrahim Noroozi

Jia Jia, 35 anos e uma figura conhecida dos meios de comunicação chineses, terá desaparecido quando se preparava para viajar desde Pequim com destino a Hong Kong.

Segundo afirmou à agência EFE um conhecido jornalista próximo de Jia, Wang Wusi, o caso poderá estar relacionado com o seu interesse por uma carta redigida por "membros leais ao PCC" (Partido Comunista chinês) que apelam à demissão de Xi.

O documento foi publicado no portal oficial do Governo chinês "Wujie News" a 4 de março, na véspera do início da sessão anual da Assembleia Nacional Popular chinesa e, entretanto, apagado.

Jia, que soube da existência daquela missiva através de comentários de amigos na rede social chinesa Wechat (WhatsApp chinês), contactou então o diretor executivo do portal, Ouyang Hongliang, com quem trabalhou no passado, explica Wang.

Questionado pelas autoridades de censura da China, Ouyang terá dito que soube da publicação da carta primeiro através de Jia, diz Wang, que revela ainda que pouco depois os familiares de Jia foram também interrogados.

Citada pelo jornal de Hong Kong Apple Daily, a mulher de Jia diz que o marido lhe ligou a dizer que estava prestes a embarcar e que devia chegar àquela Região Administrativa Especial chinesa às 11:30.

Desde então, o seu paradeiro é desconhecido.

O jornalista, que já trabalhou como editor e colunista em várias publicações, vive atualmente em Hong Kong. Até há pouco tempo, trabalhava também como professor convidado numa universidade do sul da China.

A referida carta começa por admitir algumas melhorias graças à campanha anticorrupção lançada por Xi Jinping, mas de seguida ressalva que, devido à centralização de poderes pelo atual presidente - o mais forte líder chinês das últimas décadas -, se está "a assistir a problemas sem precedentes".

Politicamente, Xi "debilitou o poder de todos os órgãos do Estado", inclusive a autoridade do primeiro-ministro, Li Keqiang, lê-se naquela missiva.

A mesma nota refere que a política externa chinesa abandonou o princípio ditado pelo antigo líder Deng Xiaoping de "esconder a força" e aponta como exemplo a crise na Coreia do Norte e a transferência de capacidade militar dos EUA para a Ásia.

No plano económico, cita a crise no mercado de capitais chinês e o excesso de capacidade de produção na indústria pesada como sinais de fracasso e crítica ainda, a nível ideológico e cultural, o recente apelo de Xi à lealdade dos meios de comunicação oficiais para com o PCC.

"Em resultado, camarada Xi Jinping, sentimos que não possui as qualidades necessárias para liderar o Partido e a nação rumo ao futuro e que não está apto para o cargo de secretário-geral" do PCC, conclui a carta.

Lusa

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