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Augusto Santos Silva mantém esperança de solução para as Lajes

O ministro dos Negócios Estrangeiros português disse hoje à Lusa que ainda tem esperança numa solução para a presença dos EUA nas Lajes, apesar de o relatório entregue pelo Pentágono excluir usos alternativos para a base.

MANUEL DE ALMEIDA

"Mantemos a esperança de que a importância estratégica das Lajes seja bem compreendida, tendo como consequência que aquela estrutura possa ser plenamente aproveitada, também, pelas Forças Armadas dos EUA, com os fins de defesa e segurança que entender convenientes", disse Augusto Santos Silva à agência Lusa.

O Departamento de Defesa entregou hoje um relatório em que afasta a hipótese de a Base das Lajes receber um centro de informações, que está planeado para Inglaterra, e qualquer outro uso alternativo, confirmou à Lusa o Pentágono.

"A Base Aerea de Croughton, no Reino Unido, continua a localização ótima para o Complexo de Análise de Informação Conjunta. Com base em requisitos operacionais, as Lajes não é a localização ideal", disse um porta-voz do Pentágono à Lusa.

A mesma fonte garantiu que "dados os requisitos operacionais das missões atuais, neste momento não existem usos alternativos para as Lajes."

O ministro dos Negócios Estrangeiros, entrevistado em Nova Iorque, onde participou esta segunda-feira num debate do Conselho de Segurança da ONU, sublinhou que "o processo de decisão norte-americano ainda não está concluído".

"Ainda não está concluído, porque sabemos das diligências havidas no Congresso e da interação entre a administração e o Congresso. Sabemos que os vários pontos dessa interação não estão todos esgotados", disse Augusto Santos Silva.

O chefe da diplomacia portuguesa referia-se às investigações que decorrem no Congresso sobre a manipulação de estudos para justificar a instalação do centro em Inglaterra.

"Não conhecemos ainda a reação do Congresso e, portanto, aguardamos o desenvolvimento normal do processo de decisão interno dos EUA", disse ainda o ministro.

Em declarações à Lusa, fonte do Pentágono assesurou que a instituição "irá continuar a considerar o valor estratégico da presença dos EUA e da NATO nos Açores".

Santos Silva disse também acreditar que o diálogo entre os dois países sobre a base açoriana vai continuar.

"Mantemos a nossa posição, segundo a qual a base das Lajes tem uma importância estratégica que os EUA bem conhecem. Continuaremos a falar com os nossos amigos norte-americanos sobre os termos da nossa cooperação em matéria de defesa e de segurança", concluiu o ministro.

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, disse este mês que a apresentação deste relatório seria "a última oportunidade" para uma "boa saída" para aquela infraestrutura militar.

A 08 de janeiro de 2015, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, anunciou uma redução de 500 militares na base das Lajes, na ilha Terceira, Açores.

Atualmente, ainda devem estar colocados na base das Lajes quase 400 militares norte-americanos, que até setembro de 2016 serão reduzidos para 165.

Lusa

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