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Médico suspende greve de fome mas espera que dívida a clínicos não fique impune

O médico que se encontra em greve de fome há 10 dias decidiu pôr hoje termo ao protesto por ter sido confrontado com o impedimento de continuar a cuidar dos seus doentes, disse o próprio à Lusa.

Rui Teixeira, médico no Hospital de Abrantes (do Centro Hospitalar do Médio Tejo) e que presta, como tarefeiro, serviço nas Urgências do Hospital de Santarém, iniciou uma greve de fome no passado dia 21 em protesto contra a "impunidade" de uma empresa prestadora de serviços que terá ficado a dever milhares de euros a clínicos em 2014.

O médico disse à Lusa que a decisão de o afastarem dos doentes enquanto mantivesse a greve de fome, comunicada hoje, o leva a interromper um protesto que estava disposto a prosseguir até haver garantias de que os valores devidos aos médicos pela RPSM serão pagos e que será feita uma investigação que permita "encontrar e punir os principais culpados nesta burla que ultrapassou mais de 150 mil euros de honorários".

Sem grande esperança de vir a recuperar os perto de 11.000 euros que lhe são devidos, o médico afirmou que a sua "maior vitória" seria a recuperação das verbas "desviadas" pela gestora da empresa e o seu encaminhamento para uma organização de apoio a doentes ou a carenciados.

"Isso não acontecerá, mas se se conseguir uma investigação séria sobre os contornos desta burla e que mude alguma coisa na forma como são contratados os profissionais para as Urgências já terá valido a pena", declarou.

Rui Teixeira disse ter recebido garantias do bastonário da Ordem dos Médicos de todo o empenho do departamento jurídico neste processo.

A RPSM, com sede no Montijo, foi, no processo que o médico lhe moveu junto do Tribunal do Barreiro, considerada insolvente e condenada, em abril de 2015, a pagar-lhe os montantes em dívida (relativos ao período de junho a setembro de 2014), mais juros.

Contudo, em dezembro de 2015, Rui Teixeira foi informado pelo seu advogado de que o administrador de insolvência comunicou a necessidade de depósito de uma caução no montante da dívida apurada (150.000 euros) se quisesse continuar com o processo, já que a gestora da RPSM não possui bens em seu nome.

Luís Filipe Pereira, administrador de insolvência da RPSM, contactado pela Lusa, recusou falar sobre o processo, declarando não ter "nada a dizer" sobre o assunto.

Rui Teixeira referiu que, esgotados todos os recursos legais, a greve de fome foi a única forma de chamar a atenção para o caso.

Depois de ter perdido nove quilos (até sexta-feira não ingeriu nem alimentos nem líquidos, tendo começado a ingerir água no fim de semana), Rui Teixeira vai ser submetido na quinta-feira a uma junta médica que avaliará se está em condições de continuar a prestar cuidados aos doentes.

Lusa

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