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Consenso no estatuto de Panteão para o Mosteiro dos Jerónimos

O Parlamento debateu hoje um projeto de lei do PS pedindo que o Mosteiro dos Jerónimos mereça estatuto de Panteão Nacional, e todas as bancadas definiram a discussão como pertinente e convergiram nesse propósito.

© Nacho Doce / Reuters

Pedro Delgado Alves, deputado do PS, apresentou o projeto de lei dos socialistas que, na essência, pede o reconhecimento do estatuto de Panteão Nacional aos Jerónimos "sem prejuízo da prática do culto religioso", sendo que o Panteão permanece instalado em Lisboa, na Igreja de Santa Engrácia.

Acrescentar o Mosteiro dos Jerónimos como local com estatuto de Panteão é, afirmou Pedro Delgado Alves, um "reconhecimento histórico e justo" às várias individualidades ali sepultadas, casos de Luís de Camões ou Vasco da Gama.

O PSD, pelo deputado Pedro Pimpão, declarou haver "condições para tratar esta matéria de forma consensual" a nível parlamentar, "dignificando e preservando" a memória coletiva de alguns dos "maiores vultos" do país.

"Não apenas no Panteão Nacional repousam alguns dos nossos maiores", declarou por sua vez o deputado do Bloco de Esquerda Jorge Campos.

Já o CDS-PP, pela voz de Pedro Mota Soares, advogou que "do ponto de vista popular, de apoio e entusiasmo", o Mosteiro dos Jerónimos "nunca foi desconsagrado", e os vultos lá sepultados são permanentemente lembrados pelos portugueses.

O PCP demonstrou também concórdia com o projeto socialista: "Homenagear os egrégios que nos precederam e notabilizaram e ficaram na memória coletiva é algo meritório", vincou o deputado António Filipe.

O texto do PS, que deverá merecer "luz verde" das várias bancadas esta tarde, diz que o Mosteiro dos Jerónimos " continua a representar um papel incontornável na valorização da memória histórica coletiva, desempenhando uma função em tudo similar à de Panteão Nacional".

"Efetivamente, aí se encontram sepultados, em túmulos do escultor Costa Motta (tio), desde o final do século XIX, dois vultos maiores da história portuguesa do século XVI, Vasco da Gama e Luís Vaz de Camões (ambos reconhecidos na Panteão Nacional através de cenotáfios evocativos), aí repousam os restos mortais de Alexandre Herculano, e, atento o relevo simbólico do local, aí foram depositadas as cinzas do poeta Fernando Pessoa em 1985, em túmulo de autoria de Lagoa Henriques, aquando da comemoração dos 50 anos do seu falecimento", prossegue o texto dos socialistas.

Lusa

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