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"Sou um homem pacífico, nunca bati em ninguém"

O ministro da Cultura afirmou hoje que a mensagem que colocou no Facebook visando os colunistas Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente foi reação a um "ataque pessoal insultuoso", mas pediu desculpa caso tenha ofendido alguém.

MANUEL DE ALMEIDA

Esta posição foi transmitida através de uma nota enviada por João Soares à agência Lusa, na qual declara: "A minha intenção não foi ofender. Se ofendi alguém peço desculpa".

No comunicado enviado à Lusa, o ministro da Cultura refere que lutou pela liberdade, "antes e depois do 25 de Abril", acrescentando: "Sou um homem pacífico, nunca bati em ninguém. Penso que a liberdade de opinião não pode ser confundida com insultos e calúnias pessoais, atentatórias da honra e do bom nome de cada um".

Na mesma nota, João Soares diz que reagiu a um "ataque pessoal insultuoso, com uma figura de estilo de tradições queirosianas".

"Tenho 66 anos. Ao longo da minha vida defendi sempre a liberdade de expressão".

O ministro da Cultura, João Soares, reagiu hoje na rede social Facebook prometendo "salutares bofetadas" ao sociólogo Augusto M. Seabra pelas críticas de falta de linha de ação política e "estilo de compadrio, prepotência e grosseria" que este lhe fez.

O crítico e programador cultural Augusto M. Seabra publicou na quarta-feira um artigo de opinião na edição 'online' do jornal Público considerando uma surpresa "inexplicável" a nomeação de João Soares para a tutela cultural do Governo.

No artigo de opinião "Tempo velho na cultura", M. Seabra considera que "o setor vive uma situação de emergência" pela sistemática desorçamentação e critica a falta de um aumento de dotação, "como mesmo acrescido desinvestimento na Direção-Geral do Património e no Fundo de Fomento Cultural".

"Que um governante se rodeie de pessoas de confiança é óbvio. Mas no caso do gabinete de Soares trata-se de uma confraria de socialistas e maçons", escreve o programador cultural, criticando várias decisões de João Soares, nomeadamente a nomeação de "um velho apparatchik, Elísio Summavielle, para o CCB, em lugar de António Lamas".

Por seu turno, João Soares reagiu hoje na página pessoal na rede social Facebook escrevendo que em 1999 prometera a Augusto M. Seabra "publicamente um par de bofetadas", acrescentando: "Foi uma promessa que ainda não pude cumprir".

"Não me cruzei com a personagem, Augusto M. Seabra, ao longo de todos estes anos. Mas continuo a esperar ter essa sorte. Lá chegará o dia. Ele tinha, então, bolçado sobre mim umas aleivosias e calúnias", reagiu o ministro.

João Soares remata, na publicação: "Estou a ver que tenho de o procurar a ele e, já agora, ao Vasco Pulido Valente, para as salutares bofetadas. Só lhes podem fazer bem. A mim também".

Vasco Pulido Valente, outro colunista do jornal Público, tinha publicado no início de março um artigo também muito crítico de João Soares, dizendo que não tem por ele "qualquer respeito nem como homem, nem como político".

Abordando igualmente o caso da substituição de Lamas no Centro Cultural de Belém, Pulido Valente considerava que o ministro "podia ter chamado discretamente o presidente do CCB para o demitir, alegando, como está no seu direito, falta de confiança política ou pessoal".

"Mas João Soares preferiu fazer do incidente um espetáculo público. Ameaçou o dr. Lamas, exibiu os seus poderes (que lhe vêm exclusivamente do cargo) e no fim ainda se foi gabar para a televisão. Não se percebe o motivo de toda esta palhaçada, excepto se pensarmos que ele é no governo um verbo-de-encher e que o PS o atura por simples caridade", escreveu Vasco Pulido Valente no artigo, ao qual João Soares reagiu também no Facebook.

Lusa

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