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Nove doentes infetados por batéria resistente a antibióticos no Hospital São João

O diretor clínico do Centro Hospitalar de São João, Porto, disse hoje à Lusa terem sido detetados nos últimos dias nove casos de doentes portadores de bactérias que não estão a responder aos antibióticos e por isso estão em isolamento.

"Em dois dos nove casos essa bactéria está a provocar infeção, mas são infeções que nesta altura parecem não ameaçadoras de vida", esclareceu José Artur Paiva, referindo tratar-se de "infeções da pele e de tecidos moles, nada de grave no sentido de ser ameaçador da vida".

Segundo o diretor clínico do Hospital São João, trata-se de uma bactéria que habita no nosso tubo digestivo, no intestino, e que faz parte do que se designa de microbioma, ou seja, grupo de bactérias que vive em simbiose com o organismo, mas que "quando exposta a antibióticos estabelece uma modificação e passa a produzir uma enzima nova, que habitualmente não produz".

Estas enzimas, a que se chamam carbapenemases, fazem-na ser capaz de destruir um dos antibióticos mais potentes que existe.

"Foi feito rastreio a todos os doentes que tiveram contacto com os doentes positivos e a situação está nesta altura controlada, embora ainda tenhamos rastreios em curso. Não excluo a hipótese de haver mais alguns casos detetados nestes rastreios que falta ter o resultado. Penso que no prazo de 48 a 72 horas teremos os resultados definitivos", acrescentou.

De acordo com a fonte, foram instituídas as medidas de controlo para estes casos de forma "a manter a continuidade da atividade assistencial do hospital sem pôr em causa a segurança dos doentes".

"Esta situação está a ser acompanhada permanentemente por um grupo de trabalho interno constituído especificamente para o efeito", afirmou.

O Centro Hospitalar de São João já deu conhecimento às estruturas regionais e centrais do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência a Antimicrobianos.

Lusa

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