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Suspeito de matar ex-futebolista de Leiria disparou por medo pelo menos uma vez

O homem acusado de ter assassinado um ex-jogador de futebol da União de Leiria à porta de um café, em Leiria, em agosto de 2015, admitiu esta segunda-feira ter disparado, pelo menos uma vez, por "medo".

AP

Na primeira sessão de julgamento, que decorreu no Tribunal Judicial de Leiria, com medidas de segurança adicionais, o suspeito disse ao coletivo de juízes que não estava armado e que se deslocou ao café onde ocorreram os factos acompanhado de mais três pessoas.

"A minha intenção nem era ir ao café. Eu ia para a Nazaré", explicou, referindo que um dos amigos pediu para comprar cigarros.

Pouco depois de ter estacionado, dois amigos foram ao café. Entretanto, a vítima dirigiu-se a si. "Quando dei conta, o Raul (Oliveira) já estava em cima de mim. Ele disse que eu ia voltar para o Brasil cheio de flores. Perguntei-lhe porque me estava a ameaçar. Logo depois ele mostrou a arma e quando vou para entrar no carro ele dá-me um murro. Não sei explicar porquê", disse ao coletivo de juízes, garantindo que não conhecia a vítima "de lado nenhum".

O suspeito acrescentou que Raul Oliveira virou as costas para voltar para o café: "De repente, vi que ele estava à procura de alguma coisa (fez o gesto de apalpar o corpo) e a vir para mim. Reparei que tinha deixado a arma no chão. Peguei nela e apontei para o alto. Mandei-o parar, ele continuou e dei-lhe um tiro", confessou.

"Não sei explicar por que é que não me fui logo embora. Foi medo. Naquela hora, com medo, perdi a noção. Só me lembro de ter dado um disparo", adiantou, justificando que apanhou a arma porque ficou com receio. "Já levei um tiro e fiquei com medo".

Depois de ter dado o tiro, o arguido afirmou ter ficado dentro do carro a "pensar em tudo o que tinha acontecido" e fugiu depois de "todo o mundo" o tentar agarrar.

Não soube explicar, contudo, o que fez à arma, que, segundo o juiz presidente, "nunca foi encontrada". "Não queria fazer isso. Naquele momento nem sei o que passava na minha cabeça".

Quando interrogado pelo seu defensor, o arguido emocionou-se desabafando que tem consciência que "fez asneira". "Todos os dias penso nisso, mas não sei explicar direito o que aconteceu".

Uma testemunha relatou ao tribunal que o arguido estacionou o carro e que, depois de o ter ouvido conversar com Raul Oliveira, a vítima perguntou-lhe: "Tens algum problema comigo?" O arguido respondeu: "Eu tenho". E depois disparou".

Outras duas testemunhas também confirmaram que foi o arguido que puxou da arma, que "trazia à cintura". Uma delas referiu que o suspeito disparou "três tiros de rajada" sobre Raul Oliveira e quando este caiu "deu-lhe mais dois tiros". Esta testemunha acrescentou que tentou agarrar o detido e que este o atingiu com a "arma na cabeça".

O Ministério Público (MP) imputa ao arguido, de 26 anos, detido preventivamente, um crime de homicídio qualificado, outro de ofensa à integridade física e mais um de detenção de arma proibida.

No despacho de acusação lê-se que no dia 30 de agosto o arguido dirigiu-se ao Café da Mineira, em São Romão, Leiria, acompanhado por mais três homens, "com intenção de encontrar e matar Raul João de Oliveira, munindo-se preventivamente de uma arma de fogo, que escondeu no cós das calças que vestia".

O Ministério Público acrescenta que o arguido agiu "de forma livre, consciente e deliberada, com intenção de lhe tirar a vida".

No despacho do MP é ainda pedida uma indemnização superior a 700 mil euros por danos patrimoniais, pensão de alimentos, despesas de saúde e escolares para o filho menor de Raul João.

Após os factos de agosto, o suspeito do homicídio esteve fugido durante quatro dias, tendo sido detido no aeroporto de Barajas, em Madrid, quando se preparava para embarcar, num avião, com destino ao Rio de Janeiro, no Brasil.

A vítima mortal, Raul João Oliveira, formou-se nas camadas jovens da União de Leiria, onde subiu a sénior. Jogou ainda por clubes como o Pedras Rubras, Fátima, Portomosense, Sport Clube Leiria e Marrazes e Atlético Clube Marinhense.

Lusa

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