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Crianças sobrevivem cada vez mais ao cancro, mas risco de desenvolver outro é grande

Duas em cada três crianças com cancro vão sobreviver cinco ou mais anos após o fim dos tratamentos, mas os sobreviventes de uma neoplasia pediátrica têm um risco seis vezes mais elevado de desenvolver um segundo cancro.

© Rodrigo Garrido / Reuters

Estes e outros dados são hoje apresentados no 17º encontro da PanCare, a rede europeia para o cuidado dos sobreviventes de cancro infantil, que decorre na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.

Segundo Ana Teixeira, a médica pediatra responsável pela consulta dos DUROS - Doentes que Ultrapassaram a Realidade Oncológica com Sucesso, estão atualmente inscritas 744 pessoas nesse serviço.

A maioria (58%) destes inscritos é do sexo masculino, existindo utentes dos seis aos 56 anos, com a maioria (86%) a ter entre 10 e 30 anos.

A responsável pela consulta dos DUROS refere que muitos dos inscritos são sobreviventes de leucemias (37%), a patologia mais frequente em oncologia pediátrica, enquanto cerca de 25% são sobreviventes de linfomas e 10% de tumores renais.

Se, por um lado, dois terços desta população (68%) apresenta pelo menos uma sequela atribuível à doença e/ou às terapêuticas realizadas, na grande maioria dos casos não são sequelas que afetem de forma significativa a vida ou a qualidade de vida destes sobreviventes.

Algumas das sequelas são problemas dentários, cicatrizes cutâneas ou problemas endócrinos de fácil resolução.

Como sequelas graves, destaca-se o registo de 32 segundas neoplasias e cinco recidivas tardias da doença oncológica primitiva.

As segundas neoplasias mais observadas foram os carcinomas da tiroide, tumores do sistema nervoso central e carcinomas baso celulares cutâneos. Registaram-se duas mortes por entre os doentes com segundas neoplasias.

Os dados indicam que, para um sobrevivente de uma neoplasia pediátrica, o risco de desenvolver uma segunda neoplasia é cerca de seis vezes mais elevado do que em relação à população em geral.

Atualmente, cerca de dois terços das crianças com cancro irão sobreviver cinco ou mais anos após o término da terapêutica.

Ana Teixeira indica que 42 sobreviventes tiveram 48 filhos, sendo que "a infertilidade como sequela das terapêuticas anti neoplásicas tem vindo a tornar-se um problema cada vez mais raro, com uma melhor adequação das doses de quimioterapia e radioterapia a aplicar".

"Os problemas psicológicos e de integração social são muito frequentes nesta população, embora difíceis de quantificar, e é claramente uma área onde o apoio a estes sobreviventes tem muito para melhorar", acrescenta.

A consulta dos DUROS foi criada em março de 2007, no serviço de pediatria do IPO de Lisboa, tendo como objetivo fundamental organizar a vigilância da saúde destes sobreviventes, de uma forma adequada aos riscos consequentes da doença que tiveram e das terapêuticas anti neoplásicas que foram administradas.

Lusa

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