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Deputados de Lisboa pedem à Câmara proteção para discotecas históricas do Cais do Sodré

A Comissão de Economia, Turismo, Inovação e Internacionalização da Assembleia Municipal de Lisboa decidiu recomendar à Câmara que proteja os estabelecimentos históricos da especulação imobiliária, tendo em conta o iminente fecho de discotecas míticas no Cais do Sodré.

Cais do Sodré, o mais recente local da moda, na noite em Lisboa.

Cais do Sodré, o mais recente local da moda, na noite em Lisboa.

Na recomendação, a que a agência Lusa teve hoje acesso, os deputados solicitam que o município envide "todos os esforços para que este tipo de estabelecimentos possa ser protegido da especulação imobiliária, de forma a salvaguardar a identidade histórico-cultural desta zona da cidade".

Isto porque, a seu ver, "o desaparecimento destes estabelecimentos irá contribuir para a descaracterização da área do Cais do Sodré".

Ao mesmo tempo, os responsáveis pretendem que o município avance "rapidamente com o programa Lojas com História, de forma a ajudar à preservação do património de espaços comerciais da cidade".

Criado pela autarquia no ano passado, este programa visa dinamizar o comércio local.

Para isso, a autarquia discutirá em breve a criação de um regulamento que estipula os critérios de distinção dos estabelecimentos históricos da cidade, bem como as medidas de apoio a que se poderão candidatar, suportadas por um fundo de 200 mil euros.

A recomendação da Comissão de Economia, Turismo, Inovação e Internacionalização surge no seguimento de uma audição feita a Fernando Pereira, proprietário de duas discotecas no Cais do Sodré, Jamaica e Tokyo.

Este comerciante, juntamente com o dono do Europa (localizado no mesmo edifício) recebeu, em outubro passado, uma denúncia do contrato de arrendamento por parte dos senhorios.

Apesar de ter efeito a partir de meados deste mês de abril, ainda não houve despejos, já que os donos das discotecas optaram por penhorar o edifício para exigir conversações e pagamento de indemnizações em atraso.

O prédio onde estes espaços se encontram, na Rua Nova do Carvalho (a chamada Rua Cor de Rosa) foi vendido pelos cerca de 30 proprietário a uma imobiliária, que, por sua vez, o revendeu a um grupo hoteleiro francês.

Para já, apenas se prevê que o Jamaica fique no local, enquanto as outras duas, Tokyo e Europa, já estão à procura de espaços alternativas para se instalarem.

Contudo, continuam as negociações, que estão a ser mediadas pela Câmara de Lisboa.

Na recomendação -- assinada pela deputada relatora e presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira (PS), e pelo presidente da comissão, Carlos Silva Santos (PCP) -- frisa-se que "estes estabelecimentos são ícones da história e da cultura da cidade de Lisboa e da zona do Cais do Sodré, tendo contribuído bastante para reabilitação e dinamização desta zona, nomeadamente da Rua Nova do Carvalho".

O documento, que será apreciado brevemente em plenário, adianta que as discotecas "estão devidamente insonorizadas e funcionam com as portas fechadas, mantendo os seus clientes no interior dos mesmos e contribuindo assim para a diminuição da aglomeração de pessoas na via pública", o que melhora "a qualidade de vida dos moradores".

Lusa

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