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Autocensura é ameaça para a liberdade de imprensa

A presidente do Sindicato dos Jornalistas considera que a precariedade do setor leva a autocensura, o que é uma ameaça à liberdade de imprensa, enquanto o presidente do regulador dos media considera que esta "está sempre em risco".

Na data em que se assinala o dia internacional da liberdade de imprensa, a presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ), Sofia Branco, considera que no mundo ainda "há sítios onde se é difícil ser jornalista, em que a liberdade imprensa e de expressão está muito condicionada".

No caso português, "até agora, os jornalistas não correm risco de vida, mas isso não quer dizer que não corram outros riscos", apontou a sindicalista.

E dá exemplos como o caso dos clubes de futebol, onde os jornalistas estão sujeitos a "boicotes e muitas vezes a agressões".

Para Sofia Branco, em Portugal não tem havido a "tendência para valorizar a liberdade de imprensa" e aponta a atual situação de precariedade de muitos jornalistas, situação que não afeta apenas aqueles que acabam de sair das universidades.

"A precariedade é avassaladora e tem impacto no exercício da profissão", alertou, já que o medo de perder o emprego, por exemplo, leva muitas vezes a que o jornalista "não ouse em escrever certas coisas, a fazer certas perguntas ou criticar abertamente nas redações".

Ora, "quando há esse risco de ter consequências isso coloca a ameaça da autocensura. Os jornalistas têm consciência disso e é uma das grandes ameaças à liberdade de imprensa", refere.

Sofia Branco defende a necessidade de uma "reflexão coletiva" e aponta o Congresso dos Jornalistas como uma oportunidade para se fazer isso.

A presidente do sindicato salienta que atualmente não é possível responder com exatidão quanto ganha uma jornalista, em média, em Portugal e adiantou que esse trabalho vai ser feito em parceria com o ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, que desde 01 de maio lançou um inquérito para o efeito.

Por sua vez, o presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), Carlos Magno, considera que "a liberdade de imprensa está sempre em risco".

"Não há liberdade de expressão sem liberdade de imprensa", salienta, apontando que a liberdade de imprensa pressupõe "uma enorme tolerância e a capacidade para permitir que opiniões opostas, contrárias, diferentes e potencialmente perigosas sejam afirmadas publicamente para se perceber o que é que a sociedade pensa na sua diversidade e não por aquelas que falam mais alto ou que têm capacidade de acesso aos media".

Em tempos de crise económica, prossegue, "há quem berre mais e com menos qualidade, porque falam as emoções e o desespero, e essas pessoas têm direito a dizer o que pensam, embora pensem pouco do que dizem".

Em segundo lugar, "compete às elites, em momentos de crise, perceber que é obrigatório usar a liberdade de imprensa para canalizar energias, em vez de dispersar, fazer com que a primeira palavra de ordem seja a liberdade e não mandar calar as minorias ", acrescenta Carlos Magno.

"Por isso, não há liberdade de imprensa sem diversidade, sem profissionalismo. Assistimos a um movimento pendular que é a profissionalização das fontes e a proletarização dos jornalistas", diz.

"Garantir a liberdade de imprensa é garantir o exercício de uma profissão com características rigorosamente profissionais. Temos de voltar a ter jornalistas no centro do sistema", conclui.

Lusa

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