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Deputada Isabel Moreira acusa Exército de denunciar crime público no Parlamento

A deputada Isabel Moreira acusou hoje o diretor de Educação e Doutrina do Exército de denunciar um crime público ao explicar que o caso relatado pelo subdiretor do Colégio Militar se refere a assédio e coação sexual.

Isabel Moreira, deputada do PS. (Lusa/Arquivo)

Isabel Moreira, deputada do PS. (Lusa/Arquivo)

LUSA

O responsável esteve hoje a ser ouvido na subcomissão para a Igualdade e Não Discriminação, na Assembleia da República, a pedido do Bloco de Esquerda, por causa da reportagem do jornal digital Observador sobre o Colégio Militar e das declarações feitas pelo subdiretor da instituição.

Segundo o major-general Fernando Coias Ferreiras, a situação particular a que o subdiretor do Colégio Militar, o tenente-coronel António Grilo, se refere (na reportagem) tem que ver não com um caso de discriminação sexual, mas sim com uma situação de assédio e abuso sexual.

O caso de que António Grilo fala ao jornal Observador refere-se a "um aluno que tentou acarinhar outro".

"Os pais ainda quiseram que ele se mantivesse na escola, mas a partir daí perdeu o espaço. Foi completamente excluído, o que num ambiente de internato, 24 horas por dia, é extremamente pesado para o bem estar e para o equilíbrio de uma pessoa", lê-se no jornal.

Questionado pelo Observador sobre se a homossexualidade é ou não realmente um tabu, o subdiretor respondeu que, para que os alunos possam viver no Colégio Militar como 'irmãos' "é bom que não haja afetos".

Para o diretor de Educação e Doutrina do Exército, "é evidente" que quando o subdiretor fala em afetos ou quando menciona que "é bom que não haja afetos", ele está a referir-se aos "afetos que não são permitidos ao nível do regulamento".

"Estamos a falar de afetos que entram no âmbito do assédio e da coação sexual, não é de simples afetos de amizade", explicou o major-general Fernando Coias Ferreiras.

Estas declarações levaram a deputada socialista Isabel Moreira a afirmar que o responsável tinha acabado de denunciar um crime público.

"Ele falou de crimes. Não sabemos a idade do rapaz, não sabemos se está a falar de um abuso sexual de um maior sobre um menor e isso seria abuso sexual de menor, ou se está a falar de coação sexual e isto é de uma gravidade enorme", apontou a deputada, em declarações aos jornalistas.

Isabel Moreira disse que vai agora reunir com o grupo parlamentar do Partido Socialista para analisar o caso.

Por outro lado, aproveitou para apontar que "é impossível" ao Parlamento ouvir a direção do Colégio Militar, já que, apesar de ter sido pedida a presença da direção da escola, quem foi ouvido na subcomissão foi a tutela intermédia, que "fala e defende a direção e ataca o ministro [da Defesa]".

Também a deputada do Bloco de Esquerda Sandra Cunha disse ter ficado surpreendida, já que o partido tinha pedido a audição da direção do colégio, de alguém com "responsabilidade direta na ação pedagógica do Colégio Militar".

"Estando cá, não íamos recusar a sua audição", disse a deputada, afirmando ter ficado preocupada com a situação de coação sexual passada no colégio.

"Continuamos com a impressão que existe algum desconhecimento ou, pelo menos, alguma recusa de que exista algum tipo de discriminação, o que nos parece, no mínimo, estranho", apontou a deputada.

Sandra Cunha disse que o partido vai analisar o conteúdo da audição e só depois decidir se vai ou não pedir para ouvir o diretor ou o subdiretor do Colégio Militar.

Lusa

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