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Ciclistas consideraram um absurdo o buzinão contra as obras

Os automobilistas de Lisboa aderiram esta terça-feira ao buzinão contra as obras de requalificação no Saldanha e em Picoas, em pleno centro da capital, enquanto os ciclistas consideraram o protesto "absurdo" e defenderam que é preciso encontrar um meio-termo.

Entre as habituais buzinadelas de trânsito e os buzinões de descontentamento, o protesto arrancou tímido, pelas 18:30, na praça do Marquês de Pombal, mas aqueceu para um buzinão com dimensão sonora que durou cerca de 15 minutos, prosseguindo depois com apitadelas ocasionais até cerca das 20:00.

Moradora há mais de 20 anos na Avenida da República - artéria que vai sofrer alterações -, Maria Gonçalves disse que "os constrangimentos das obras são totais", criticando a falta de planeamento da Câmara de Lisboa por não ter disponibilizado à população informação sobre o projeto.

Para Maria Gonçalves, "não são de todo" necessárias estas obras, acrescentando que "há tanta coisa para fazer" em Lisboa, desde recuperar passeios à pavimentação das ruas.

Com uma opinião diferente, Ladislau Ferreira, morador na zona do Arco do Cego e utilizador de bicicleta, considerou à Lusa que a intervenção "é uma necessidade municipal" e que "há muito tempo que as obras deviam ter sido impostas", uma vez que vai "facilitar" a mobilidade aos ciclistas.

"Todos somos peões", leu-se no cartaz do lisboeta Filipe Beja, considerando que todos os cidadãos devem ter o direito à mobilidade pedonal em primeiro lugar, antes mesmo dos ciclistas, dos automobilistas e dos motociclistas.

Vinda de bicicleta, Bianca Jeremias, de 26 anos, que nasceu na Alemanha e vive em Lisboa há cerca de sete anos, disse que quando chegou a Portugal deixou de usar a bicicleta para as deslocações diárias, uma vez que "as condições não são boas".

Recentemente, Bianca decidiu começar a pedalar por Lisboa, motivo pelo qual decidiu participar no "passeio silencioso em protesto contra o buzinão", convocado pela Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (Mubi), considerando que a paragem das obras "é um passo atrás para a evolução" na mobilidade sustentável na cidade.

Cerca de 30 ciclistas pedalaram em torno da rotunda do Marquês de Pombal, enquanto os automobilistas buzinavam.

Para o ciclista Rui Martins, de 68 anos, o protesto dos automobilistas é "absurdo", argumentando que "qualquer coisa que reduza o tráfego é positivo para toda a gente".

Um dos promotores da iniciativa dos automobilistas, Francisco Teixeira caracterizou o buzinão como "um ato cívico" para manifestar a "insatisfação a uma obra sobre a qual não foi ouvida a população de Lisboa", acrescentando que "o objetivo foi plenamente atingido".

"Estou muito satisfeito, porque foi bem audível a participação das pessoas, o que mostra que nem sempre aquilo que é decidido num gabinete está de acordo com aquilo que a população sente e aquilo que a população deseja", declarou à agência Lusa Francisco Teixeira, após a realização do protesto.

De acordo com o organizador da iniciativa, "o ideal seria que o processo [das obras] fosse suspenso, de modo a ser repensado com os moradores", sublinhando que é necessário "ponderar a qualidade de vida das pessoas que vivem em Lisboa", uma vez que "o problema do excesso de carros em Lisboa não é dos lisboetas".

A assistir ao buzinão, o presidente da Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente (CPADA), José Manuel Caetano, considerou que a iniciativa "é um profundo disparate", lembrando o problema das alterações climáticas e da poluição sonora.

"O centro da cidade não é para os automóveis", defendeu o responsável da CPADA, referindo que, para que tal seja uma realidade em Lisboa, é fundamental existir uma boa rede de transportes públicos "acessível a todos".

O vereador do CDS-PP na Câmara de Lisboa, João Gonçalves Pereira, esteve no protesto, expressando que "não defende a paragem da obra, nem é contra a obra", mas também "não quer que as obras parem a cidade de Lisboa", reforçou o central democrata.

"Há aqui uma pressa, uma fúria, por tentar fazer obras e para tentar mostrar serviço que demonstram, a meu ver, enorme desrespeito pelos lisboetas" por não ter lançado uma consulta pública formal, declarou João Gonçalves Pereira, defendendo que "é evidente que isto não passa apenas de um calendário eleitoral do atual presidente da Câmara".

Em causa neste projeto está o alargamento dos passeios, a criação de zonas verdes e de lazer, a repavimentação das faixas de rodagem (feita durante a noite), o reordenamento do estacionamento (supressão de cerca de 60 lugares de estacionamento no Saldanha) e a criação de uma ciclovia bidirecional, no âmbito do programa "Uma praça em cada bairro", orçada em 7,5 milhões de euros e com a duração estimada de nove meses.

Lusa

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