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Sobrinho-neto de Salazar reclama bens depositados na Câmara de Santa Comba Dão

Um sobrinho-neto de António de Oliveira Salazar reclama, em tribunal, a devolução de bens do antigo presidente do Conselho que se encontram em depósito na Câmara de Santa Comba Dão ou, em alternativa, o pagamento de 324 mil euros.

1942 - Salazar encontra-se com o ditador espanhol general Franco, no Alcazar de Sevilha, para debaterem a neutralidade na II Guerra Mundial.

1942 - Salazar encontra-se com o ditador espanhol general Franco, no Alcazar de Sevilha, para debaterem a neutralidade na II Guerra Mundial.

Hoje de manhã decorreu no Tribunal de Viseu uma audiência prévia deste processo, tendo o início do julgamento ficado marcado para 24 de novembro.

O sobrinho-neto da figura maior do Estado Novo, Rui Salazar, explicou à agência Lusa que em causa estão bens que entregou à Câmara após 2006 e relativamente aos quais nunca chegou a ser feita uma escritura de doação.

Segundo Rui Salazar, "em 2002 e em 2005 foram depositados na Câmara determinados bens que eram da herança do professor Salazar, e não só", relativamente aos quais foi feita uma escritura de doação em maio de 2006.

Entre esses bens estava "material filatélico, numismático, medalhístico, objetos vários, revistas, jornais, documentos, mapas e livros", explicou.

A Câmara de Santa Comba Dão recebeu também, por doação, um terço dos bens imóveis da herança da família de Salazar, que era natural da freguesia de Vimieiro, naquele concelho.

Também relativamente a estes bens imóveis "está tudo certo", porque foi feita escritura de doação a 17 de maio de 2006, esclareceu.

Rui Salazar explicou que o processo que vai começar a ser julgado em novembro se prende com o que entregou à Câmara, para depósito, após 2006, ou seja, em novembro e dezembro de 2007, em setembro de 2008 e em janeiro de 2009.

Nestas datas, entregou mais "livros, jornais, revistas, mapas, material filatélico, numismático, medalhístico e objetos vários", com a intenção de, posteriormente, ser feita uma escritura de doação, o que nunca chegou a acontecer, contou.

"O presidente de Câmara que estava (João Lourenço) não deu origem a escritura nenhuma. O atual (Leonel Gouveia) chegou, nem sequer me chamou para oficializar esse depósito que estava na Câmara, o que me leva a depreender que não estão minimamente interessados", considerou.

Foi por isso que Rui Salazar decidiu colocar a Câmara de Santa Comba Dão em tribunal. "Se não estão interessados, quero as coisas de volta", frisou.

Caso a Câmara não devolva os bens, pede uma indemnização de 324 mil euros, que considera corresponder apenas "a uma parte" do espólio que entregou.

Em 2006, o então presidente de Câmara João Lourenço considerou as doações "mais um passo" no processo de construção do Museu e Centro de Estudos do Estado Novo.

O projeto incluía um espaço museológico onde estariam expostos vários objetos que pertenceram a Salazar, um de investigação de documentação existente referente a esse período e um terceiro que retrataria a história de Portugal entre 1926 e 1974, com o nome de "corredor da História", contendo referências à Guerra Colonial, à Segunda Guerra Mundial e ao 25 de Abril de 1974.

Previa, ainda, "reconstruir os edifícios que pertencem à família de Salazar e ao município de Santa Comba Dão, de modo a recriar o ambiente existente à época do Estado Novo", com visitas guiadas e "uma loja com produtos do concelho, destacando-se os vinhos de marca própria a registar, os enchidos, as castanhas, a broa de milho e o presunto".

Recentemente, o atual presidente, Leonel Gouveia, disse à Lusa que a criação do centro interpretativo do Estado Novo é "fundamental" como alavanca para todo o projeto de desenvolvimento turístico que têm para o concelho.

Este projeto prevê a instalação do centro interpretativo do Estado Novo na Escola Cantina Salazar, que foi construída naquele tempo.

"Entendemos que seria importante dar dimensão a este projeto, no sentido da sua internacionalização, daí que, com uma associação de desenvolvimento local - a ADICES - fizemos uma candidatura à CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro), abrangendo não só Santa Comba Dão, mas também os concelhos de Carregal do Sal, com a figura de Aristides de Sousa Mendes, Tondela, com a família Lacerda, e os sanatórios do Caramulo, e ainda Mortágua, com Tomás da Fonseca e Branquinho da Fonseca, que foram dois antissalazaristas, oposicionistas ao anterior regime", explicou.

Lusa

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