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Mário Soares e Jorge Sampaio felicitam Manuel Alegre pelo seu 80º aniversário

Os antigos presidentes da República Mário Soares e Jorge Sampaio foram duas das personalidades políticas e da cultura que hoje telefonaram ou enviaram mensagens ao dirigente histórico socialista Manuel Alegre para o felicitar pelo seu 80º aniversário

© Marcos Borga / Reuters

Em declarações à agência Lusa, Manuel Alegre afirmou ter já recebido "inúmeras" mensagens de "parabéns" pelo seu aniversário, mas destacou os telefonemas que recebeu dos antigos chefes de Estado e líderes do PS Mário Soares e Jorge Sampaio.

"O telefonema de Mário Soares sensibilizou-me profundamente. Ele estava muito bem disposto e fez questão de me dizer que estamos aqui os dois ainda para as curvas", referiu Manuel Alegre.

O ex-candidato presidencial afirmou ainda que os amigos mais próximos lhe sugeriram que fizesse uma celebração pública pelo seu 80.º aniversário.

"Mas disse-lhes que queria passar este dia em família. Talvez lá mais para a frente aceite fazer alguma coisa", referiu.

Da data do seu aniversário, Manuel Alegre recordou aquilo que viveu há 52 anos, em Coimbra, durante um cortejo da Queima das Fitas.

"Nesse dia, há 52 anos, estava pronto para pôr as insígnias, quando tive de fugir da PIDE (polícia política do Estado Novo). Passei depois à clandestinidade até ao 25 de Abril de 1974", contou ainda à agência Lusa.

Manuel Alegre de Melo Duarte nasceu a 12 de maio de 1936 em Águeda, estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde foi dirigente estudantil.

No período do Estado Novo, apoiou a candidatura do general Humberto Delgado, foi fundador do CITAC (Centro de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra), membro do TEUC (Teatro de Estudantes da Universidade de Coimbra), campeão nacional de natação e atleta internacional da Associação Académica de Coimbra. Dirigiu o jornal A Briosa, foi redator da revista Vértice e colaborador de Via Latina.

Esteve dez anos exilado em Argel, onde foi dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional.

Nesta década de 60, os seus dois primeiros livros, "Praça da Canção" (1965) e "O Canto e as Armas" (1967) foram apreendidos pela censura. Os seus poemas foram, cantados, entre outros, por Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire e Luís Cília.

Manuel Alegre regressa a Portugal em 02 de maio de 1974 e entrou mais tarde no PS, tendo sido deputado constituinte pelo círculo eleitoral de Coimbra, candidaturas que repetiu neste distrito em todas as eleições legislativas até 2002.

Em 2006, Manuel Alegre candidatou-se à Presidência da República como independente, voltando a concorrer em 2011, agora já apoiado pelo PS. Foi membro do Conselho de Estado até ao final da anterior legislatura.

Lusa

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