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Adolescentes que usam transportes não motorizados para ir à escola são mais autónomos

Adolescentes que utilizam os transportes não motorizados no percurso entre a casa e a escola são mais autónomos e desenvolvem melhor alguns fatores de proteção em relação ao ambiente que os rodeia, indica estudo da Universidade do Porto.

(Lusa)

(Lusa)

PAULO CUNHA

Este resultado surge no âmbito do projeto SALTA - Suporte do Ambiente para o Lazer e Transporte Ativo - desenvolvido pelo Centro de Investigação em Actividade Física, Saúde e Lazer (CIAFEL) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP).

"Em geral, os jovens têm autonomia mais reduzida e são mais sujeitos a restrições nas suas deslocações, impostas pelos adultos", indicou Maria Paula Santos, coordenadora do projeto, para quem este comportamento tem um "impacto negativo" no seu desenvolvimento motor e social.

Durante o estudo, os investigadores verificaram que a perceção dos pais acerca da segurança da área de residência é um dos fatores associados à mobilidade independente dos jovens.

Pais mais ativos - especialmente em relação à atividade do transporte - incentivam a autonomia dos filhos, o que pode ser explicado pelo melhor conhecimento acerca do ambiente construído. "Quem anda a pé conhece melhor os caminhos", indicou a responsável.

Verificou-se também que a segurança, nomeadamente uma melhor iluminação das ruas, é "um importante preditor do transporte" para as raparigas avaliadas.

Outro dos resultados indica que a distância entre a casa e a escola influencia a escolha do transporte e que maiores distâncias associam-se a maiores níveis de transporte passivo.

"Distâncias até dois quilómetros são aparentemente as mais adequadas para promover deslocações a pé no percurso casa-escola", referiu a coordenadora.

Por seu lado, as relações sociais também influenciam o transporte não motorizado ou ativo e os jovens com maior auto eficácia, que são encorajados pelos pais e que optam pela companhia dos amigos, apresentam uma maior tendência na escolha deste tipo de deslocação.

De acordo com a investigadora, em média, uma viagem casa-escola-escola-casa, "representa cerca de 40% dos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa recomendada nestas idades", sendo este outro dos dados obtidos no estudo.

Para além disso, os jovens que optam pelo transporte ativo (recorrendo ao uso de bicicleta, patins e?skate', por exemplo) apresentam uma maior probabilidade de terem "um melhor perfil lipídico e um menor perímetro da cintura" do que utilizadores de meios passivos, acrescentou.

Para Maria Paula Santos, "é fundamental" a criação de ambientes que apoiem e reduzam as barreiras, ao mesmo tempo que estimulam o comportamento saudável, que podem ser uma alternativa "muito valiosa" no âmbito das políticas de saúde pública.

A existência de estruturas físicas para guardar bicicletas em seguranças nas escolas e a organização de grupos de transporte (apoiados pelos pais e pelos professores), são alguns exemplos.

No estudo participaram 1.067 crianças e jovens (574 raparigas), entre os dez e os 18 anos, de escolas públicas da área metropolitana do Porto.

Os participantes foram submetidos a uma avaliação da atividade física e da perceção do ambiente construído, através de questionários e do uso de acelerómetros.

A equipa de investigação utilizou ainda informações objetivas do território, recorrendo a dados obtidos por GPS e a sistemas de informação geográfica.

No SALTA, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) em 120 mil euros, estiveram envolvidos os investigadores do CIAFEL Andreia Pizarro, Jorge Mota, Paula Silva, Paula Queirós, Elisa Marques e Gustavo Silva.

Lusa

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